Novas Drogas - Perspectivas (Parte 2)
3.20.29 ST101
Nomes: Spiro[imidazo[1,2-a]pyridine-3,2-indan]-2(3H)-one, ZSET1446.
Mecanismo: Melhora global da cognição por liberação de acetilcolina.
3.20.30 Estatinas
Mecanismo: O objetivo da utilização das estatinas é alterar o metabolismo do precursor da proteína beta-amiloide e reduzir a formação da proteína A4 amiloide. Também é testada a ação anti-inflamatória e redução da oxidação das lipoproteínas, atenuando o dano celular causado pelo estresse oxidativo. Um estudo multicêntrico com mais de 60.000 pacientes mostrou uma diminuição na prevalência de DA em indivíduos que usavam lovastatina e pravastatina, drogas normalmente indicadas para diminuir os níveis séricos de colesterol. A redução do colesterol pelas estatinas parece alterar o metabolismo do peptídeo PPA e reduzir a produção da proteína beta-amiloide.
As estatinas também podem ter um efeito neuroprotetor, diminuindo o processo inflamatório implicado diretamente na gênese das lesões anatomopatológicas, características da doença de Alzheimer. A redução da oxidação lipoproteica poderia conferir mais um efeito protetor contra as agressões dos radicais livres em nível celular.
3.20.31 T-817MA
Mecanismo: Composto neurotrófico e neuroprotetor.
3.20.32 Thalidomida
Mecanismo: Agente imunomodulador.
3.20.33 Varenicline
Nomes : Champix™, Chantix™, CP-526,555
Mecanismo:Ativação de receptores nicotínicos.
Drogas em fase I
3.20.34 MABT5102A
Mecanismo: Remoção do peptídeo Aβ.
3.20.35 Valproato
|
Tabela 3.20.35 Valproato |
||
|
Indústria farmacêutica: Abbot |
||
|
Nomes |
Depakene® (ácido valproico ou valproato sódico) e Depakote® (divalproato de sódio) |
|
|
Aplicação terapêutica |
Droga usada para o tratamento de crises convulsivas e na estabilização do humor no transtorno bipolar. |
|
|
Mecanismo |
O valproato potencializa a função gabaérgica, por aumento da liberação do ácido gama-amino-butírico (Gaba) e diminuição da sua catabolização, e pelo aumento na densidade de receptores Gaba tipo B. |
|
|
Tipo de estudo |
Investigativo. |
|
|
Papel na doença de Alzheimer |
Em cultura de células do hipocampo de ratos, o ácido valproico protege os neurônios das cobaias contra a proteína beta-amiloide e contra as agressões induzidas pelo glutamato, através da estabilização dos níveis intracelulares de cálcio. |
|
|
Contraindicações |
O valproato é normalmente bem tolerado. |
|
Estudos descontinuados
3.20.36 ABT 418]
3.20.37 Acetyl-l-carnitine HCL
3.20.38 AF 102B
3.20.39 AN1792
3.20.40 Besipirdine HCl
3.20.41 Clioquinol
|
Tabela 3.20.41 Clioquinol |
|
|
Indústria farmacêutica: Prana Biotechnology |
|
|
Nomes |
Clioquinol® – iodoclorohidroxiquina, PBT-1. |
|
Aplicação |
Estava em processo de investigação (FDA) como droga para tratamento da doença de Alzheimer, mas o estudo foi descontinuado. |
|
Mecanismo |
Atenuação da associação “metal-proteína”. |
|
Tipo de estudo |
Investigativo. |
|
FDA |
Interrompido-abandonado. |
|
Papel na doença |
O Clioquinol inibe íons de zinco e chumbo relacionados com a Aβ. Em razão disso, essa droga promoveria a solubilização e o clareamento da Ab. |
|
Papel |
O Clioquinol® promove a remoção dos compostos de zinco e chumbo, além de transformar a Ab em forma solúvel, favorecendo sua eliminação. |
|
Efeitos adversos |
O uso de Clioquinol por via oral foi associado ao aparecimento de O estudo foi interrompido. |
3.20.42 CX516
Nomes: Ampalex
Mecanismo: Ampalex é um droga que modula os receptores AMPA. O glutamato é um aminoácido liberado pelos neurônios com propriedades excitatórias. Fixa-se em lugares específicos nos neurônios, receptores Ampa. (a-amino 2,3-dihidro-5metil-3-oxo-4-ácido isoxazolepropiônico). A estimulação dos receptores excitatórios neuronais é um grande passo na formação da memória. Estudos preliminares demonstraram melhora cognitiva em idosos sem demência.
3.20.43 Eptastigmine
3.20.44 Premarin
Tabela 3.20.44 Premarin® (estrogênio) |
|
|
Indústria farmacêutica: Wyeth Ayerst Laboratories |
|
|
Nome |
Premarin® |
|
Tipo de estudo |
Investigativo. |
|
Papel na doença de Alzheimer |
Vários estudos epidemiológicos sugerem que o uso de estrogênios em mulheres, após a me |
|
Papel farmacológico |
O estrogênio possui ação anti-inflamatória e antioxidante. |
|
Contraindicações e |
• Contraindicações absolutas: gravidez, câncer de endométrio, alto risco de câncer de mama, doença hepática ativa e sangramento genital feminino não esclarecido. |
3.20.45 Flurizan®
|
Tabela 3.20.45 Flurizan® |
|
|
Indústria farmacêutica: Myriad Pharmace |
|
|
Nomes |
Flurizan® (MPC-7869, r-flurbiprofeno) |
|
Aplicação terapêutica |
Tratamento da doença de Alzheimer em fase intermediária. |
|
Mecanismo |
Agente seletivo de diminuição de amiloide (Sala). |
|
Tipo de estudo |
Investigativo. |
|
FDA |
Fase III. |
|
Papel na doença de Alzheimer |
A diminuição seletiva da produção da proteína amiloide tóxica (Ab42) inibe a cascata de acumulação e depósito amiloide. |
|
|
Dessa maneira, há dimuição da formação de placas neuríticas, marcas características da enfermidade. |
|
Evidências de eficácia |
Na fase II, 800 pacientes receberam 800 mg de Flurizan®, 2 vezes ao dia. |
3.20.46 Ibuprofeno
|
Tabela 3.20.46 Ibuprofeno |
|
|
Indústrias farmacêuticas: Wyeth Consumer Healthcare, Whitehall-Robins Healthcare, McNeil Consumer and Specialty Pharmaceuticals |
|
|
Nomes |
Ibuprofen, Advil®, Motrin® e Nuprin® |
|
Aplicação |
O Ibuprofen é um anti-inflamatório não est |
|
Mecanismo |
Prevenir ou retardar o início da doença de Alzheimer, diminuindo o processo inflamatório cerebral relacionado com a formação das placas neuríticas. |
|
Tipo de estudo |
Investigativo. |
|
FDA |
Fase III. |
|
Tabela 3.20.9 Ibuprofen (continuação) |
|
|
Papel na doença |
Existem indícios de que os AINE possam colaborar no tratamento da doença de Alzheimer, retardando sua evolução. |
|
Papel farmacológico |
Redução da atividade das prostaglandinas pela inibição da prostaglandina sintetase. |
|
Contraindicações e |
• Contraindicação: histórico de alergia aos seguintes medica-mento: Ibuprofeno, outros AINE e aspirina. |
3.20.47 Idebenone
3.20.48 Leuprolida
|
Tabela 3.20.48 Leuprolida |
|
|
Indústria farmacêutica: TAP Pharmaceutical Products |
|
|
Nomes |
Leuprolida (Lupron®,Viadur®, Eligard®) |
|
plicação te |
Droga aprovada para o tratamento de câncer |
|
Mecanismo |
Múltiplos mecanismos sugeridos, mas ainda pouco esclarecidos. |
|
Tipo de estudo |
Investigativo. |
|
FDA |
Fase III. |
|
Papel na doença |
Melhora da cognição. |
|
Papel farmacológico |
Liberador de hormônio luteinizante (LH- RH). |
|
Efeitos adversos |
Arritmia, dores musculares, sangramento vaginal e fogachos. |
3.20.49 Linopirdine
3.20.50 LU25-109
3.20.51 LY450139 Dihydrate
Indústria Farmacêutica: Eli Lilly and Company
Título do estudo: “Efeito do LY450139, um g-secretase inibidor, na progressão da doeça de Alzheimer comparado com placebo”.Número de pacientes estudados: foram randomizados 1.100.Duração do estudo: 23 meses.Multicêntrico internacional, inclusive no Brasil.Data de início do estudo: agosto 2008.Objetivos do estudo: a droga LY450139 apresentava um novo mecanismo de ação como um inibidor functional da g-secretase, com a propriedade de inibir a síntese da beta-amiloide (A) potencialmente lentificando a progressão do curso da enfermidade. O objetivo primário desse estudo era testar a hipótese de que o LY450139 administrado por via oral iria desacelerar o declínio cognitivo da doença de Alzheimer quando comparado com placebo.O estudo foi descontinuado.
3.20.52 Metrifonato
3.20.53 Milameline
3.20.54 Naproxen
|
Tabela 3.20.54 Naproxen |
|
|
Indústrias farmacêuticas: Proctor & Gamble, Roche Pharmaceuticals e Syntex |
|
|
Nomes |
Naproxen, Aleve®, Na prox®, Naprosyn® |
|
Aplicação terapêutica |
Droga OTC (vendida sem receita médica) e aprovada pela FDA em 1994, o Naproxen é um anti-inflamatório |
|
Mecanismo |
Previne ou retarda o início da doença, diminuindo o processo inflamatório cerebral relacionado com a formação das placas neuríticas. |
|
Tipo de estudo |
Investigativo. |
|
FDA |
Fase III. |
|
Papel na doença de Alzheimer |
Existem indícios de que os AINE possam colaborar no tratamento da doença de Alzheimer, retardando sua evolução. |
|
Papel farmacológico |
Trata-se de AINE não seletivo que inibe a produção de prostaglandinas. |
|
Contraindicações e efeitos adversos |
• Contraindicação: alergia a aspirina enos casos de doença péptica. |
3.20.55 Nefiracetam
Mecanismo: Ativador colinérgico. O nefiracetam aumentaria a cognição e ativa a transmissão colinérgica central.
3.20.56 NeoTrofin®
Nomes: AIT-082
Mecanismo: Agente neotrófico que proporcionaria melhora global da cognição.
3.20.57 Neramexane
|
Tabela 3.20.57 Neramexane |
|
|
Indústrias farmacêuticas: Forest Laboratories, Merck & Co. |
|
|
Nome |
Neramexane, 1-amino-1,3,3,5,5-pentametil-ciclohexane hidroclorido, MRZ 2/579 |
|
Aplicação terapêutica |
Agente neuroprotetor e neurorregeneração. |
|
Mecanismo |
Similar à memantina. Pequena molécula, não competitiva e bloqueadora dos canais de cálcio – NMDA. |
|
Tipo de estudo |
Investigativo. |
|
Papel na doença |
Retardar o declínio das funções cognitivas, alterando o sinal da neurotransmissão. |
|
Papel farmacológico |
Bloqueio seletivo dos efeitos excitotóxicos associado à neurotransmissão mediada pelo glutamato. |
|
Contraindicações e |
Aparentemente bem tolerado e seguro. Nas fases anteriores do estudo, autorizou-se a continuidade da pesquisa. |
3.20.58 NS2330
Mecanismo: Aumentaria a ação da acetilcolina, noradrenalina e dopamina
3.20.59: Physostigmine Salicylate
Nomes: Synapton
Mecanismo: Melhora da memória recente.
3.20.60 Propentofylline
3.20.61 Rosiglitazone
|
Tabela 3.20.61 Rosiglitazona |
|
|
Indústria farmacêutica: GlaxoSmithKline |
|
|
Nomes |
Avandia®, 5-[[4-[2-(metil-piridina-2-yl-amino)etoxy]fenil]metil]tiazolidina-2,4-diona. |
|
Aplicação terapêutica |
Droga usada no tratamento do diabetes mellitus (DM) tipo 2. |
|
Mecanismo |
Pequena molécula. |
|
Tipo de estudo |
Investigativo. |
|
Papel na doença |
O diabetes tipo 2 tem sido correlacionado com a doença de Alzheimer (DA) de várias maneiras. |
|
Papel na doença |
Em dois estudos com pequena amostragem realizados em 2006, com a duração de 24 semanas, os resultados mostraram modesta mas efetiva e significativa melhora da cognição em indivíduos não portadores do alelo ApoE4. |
|
|
Contraindicações e |
Essa droga é aparentemente bem tolerada e segura. |
|
3.20.62 Sabeluzole
3.20.63 SB 202026
3.20.64 SGS-742
Mecanismo:Trata-se de um antagonista do receptor Gaba. Os receptores Gaba inibem o aprendizado em cobaias. Os efeitos desse antagonista estão relacionados com os receptores NMDA. Existiriam indícios de que o SGS-742 poderia reduzir a expressão e/ou a ativação da transcrição de fatores que atuam como inibidores e supressores da memória.
3.20.65 Suritozole[sub3]
Drogas não reguladas pela FDA
3.20.66 Alzhemed™
3.20.67 Melatonina
|
Tabela 3.20.66 Alzhemed® |
|
|
Indústria farmacêutica: Neurochem |
|
|
Nome |
Alzhemed® |
|
Aplicaçã |
Em estudo |
|
Mecanismo farmacológico |
Inibição da formação de fibrilas Ab. |
|
Tipo de estudo |
Investigativo. |
|
FDA |
ESTUDO DESCONTINUADO |
|
Papel |
A droga foi desenhada para prevenir a formação amiloide e seu depósito no cérebro, modificando o curso na enfermidade. |
|
Espera-se que o Alzhemed® |
1. Inibir e interromper a formação e depósito de amiloide Ab. |
|
Papel farmacológico |
O Alzhemed® é uma pequena molécula orgânica que foi desenhada para interferir na associação entre os glicominoglicanos (GAG) e a proteína beta-amiloide (Ab ), e, dessa forma |
Droga aprovada fora dos EUA
3.20.68 Cebrolysin®
|
Tabela 3.20.67 Cebrolysin® |
|
|
Indústria farmacêutica: Ebewe Pharmaceutical |
|
|
Nome |
Cebrolysin® |
|
Aplicação terapêutica |
Melhora da capacidade cognitiva, do comportamento e das atividades básicas e instrumentais da vida diária. |
|
Mecanismo |
Neuroproteção, agente neurotrófic |
|
Tipo de estudo |
Investigativo. |
|
FDA |
Droga aprovada fora dos EUA |
|
Papel na doença |
Tratamento da doença de Alzheimer. |
|
Papel farmacológico |
É uma droga pepdérgica, produzida de proteínas cerebrais purificadas, contendo peptídeos ativos. |
|
Papel farmacológico |
Interfere positivamente, em nível sináptico, no hipocampo, melhorando o desempenho comportamental. |
|
Contraindicações e |
Essa droga é contraindicada em casos de epilepsia e insuficiência renal severa. |
Estudos inativos
3.20.69 Atorvastatina
Nomes: Liptor™
Mecanismo: Análise multicêntrica com mais de 60.000 pacientes indicou uma diminuição da prevalência de doença de Alzheimer em pacientes que receberam lovastatina e pravastatina, drogas comumente usadas para redução das taxas de colesterol.Objetivo: Evitar a formação e o depósito de amilóide.
3.20.70 AZD3480
Nomes: Ispronicline, TC-1734
Mecanismo: Agonista nicotínico.
3.20.71 Huperzina A
Nomes: Cerebra capsule, Pharmassure Memorall capsule
Mecanismo:Trata-se de uma erva chinesa que possui múltiplos mecanismos de ação. A huperzina A é um inibidor natural da acetilcolinesterase, mais potente que a tacrina e o donepezil. A redução da neurotoxicidade é causada pela ação da proteína beta-amiloide. Além de melhorar a cognição, teria efeito neuroprotetor.
3.20.72 MKC-231
Mecanismo: O objetivo do MKC-231 seria de aumentar a concentração de colina disponível para síntese de acetilcolina.
3.20.73 NGX267
Nomes: AF267B
Mecanismo: Potencial teórico de melhorar as funções cognitivas e retardar a evolução da enfermidade.
3.20.74 Phenserine
|
Tabela 3.20.74 Fenserina |
|
|
Indústria farmacêutica: Axonyx® |
|
|
Nome |
Fenserina |
|
Aplicação terapêutica |
Não conhecida. |
|
Mecanismo |
Um estudo com culturas de células nervosas humanas demonstrou que a Fenserina reduz os níveis da proteína beta-amiloide, pela mediação da transla o da beta-PPA. |
|
Tipo de estudo |
Investigativo. |
|
FDA |
Fase III. |
|
Papel na doença de Alzheimer |
Melhoria das funções cognitivas. |
|
Papel farmacológico |
A Fenserina, um fenilcarbamato da fisostigmina, é um inibidor seletivo da acetilcolinesterase. |
|
Contraindicações e efeitos adversos |
Aparentemente bem tolerada e segura. |
3.20.75 PRX-03140
Nomes: (7-isopropil-6-oxo-5(3-piperidina-1-yl-propilcarbamoil)-6,7-dihidro-tieno[2,3-b]piridina-4-olato, sal de potássio)
Mecanismo: Agonista parcial do receptor 5-HT4 que agiria para: aumentar a produção/liberação de acetilcolina, promover neuroproteção, elevar os níveis do fator de crescimento neuronal) e do fator neurotrófico.
3.20.76 Rofecoxib
Nomes: Vioxx™
Mecanismo: Ação antiinflamatória.
Drogas aprovadas
3.20.77 Donepezil
3.20.78 Exelon™
3.20.79 Galantamina
3.20.80 Memantina
3.20.81 Tacrina
Uma vacina anti-Alzheimer ?
Denominou-se AN-1792 a droga que era investigada com o propósito de verificar seu potencial em estimular o sistema imunológico a “reconhecer” e “atacar” as placas amiloides, lesões características da doença de Alzheimer. Essa droga conhecida como vacina antialzheimer é uma forma de beta-proteína, fragmento presente na maioria das placas amiloides. Cientistas da Elan Incorporation desenvolveram esse tratamento com base na teoria de que a administração de proteína beta-amiloide poderia ativar o sistema imunológico que, assim, iria produzir seus próprios anticorpos antiamiloide.
A pesquisa foi conduzida pela Elan em conjunto com o Laboratório Wyeth-Ayerst, a divisão farmacêutica da American Home Products.
O que aconteceu com a droga AN-1792 nos ensaios clínicos?
Em julho de 1999, a Elan publicou os primeiros resultados promissores, observados com animais em um estudo pré-clínico, na Nature. Esses estudos demonstraram que injeções de AN-1792 evitavam a formação de placas amiloides nos cérebros de camundongos jovens e transgenicamente modificados, manipulados por engenharia genética para que produzissem a proteína beta-amiloide humana. A inoculação também havia reduzido o número de placas existentes em ratos idosos com a mesma alteração gênica.
Estudos posteriores, realizados por um laboratório independente, constataram que a inoculação da AN-1792 havia melhorado significativamente o desempenho das cobaias em testes de memória em labirintos.
Com base nesses resultados pré-clínicos, a Food and Drug Administration (FDA) e a Medicines Control Agency permitiram que o estudo se iniciasse (fase I) com humanos, a fim de verificar a segurança e a tolerabilidade da AN-1792 em pacientes com Alzheimer na fase intermediária (mild to moderate Alzheimer’s).
O estudo envolveu na Medicines Control Agency cerca de 80 pacientes, e no estudo realizado na FDA aproximadamente 24.
Os resultados dessa fase I, publicados em 2000, mostraram que a vacina parecia ser bem tolerada por humanos. Os testes também constataram o aumento de anticorpos antiamiloide.
Com base nesses resultados, a Elan, no final de 2001, iniciou um pequeno ensaio (fase II) nos EUA e na Europa envolvendo cerca de 360 pacientes
com Alzheimer em fase intermediária. Aproximadamente 300 participantes foram randomicamente escolhidos para receber a AN-1792 e os demais receberam placebo.
Em janeiro de 2002, a Elan e o Laboratório Wyeth-Ayerst suspenderam a administração da droga na fase II, após quatro participantes que haviam recebido múltiplas doses da AN-1792 apresentaram sintomas de inflamação no cérebro. Quando mais 11 participantes apresentaram essa mesma e grave complicação no final do mês de fevereiro de 2002, cientistas independentes do Safety Monitoring Committee decidiram que mais ninguém deveria receber a droga AN-1792.
Os pesquisadores do estudo continuaram, e continuam, a seguir os casos, monitorando o grau de bem-estar dos participantes com o propósito de detectar e medicar os que porventura apresentarem os sintomas de encefalite. Todos os pacientes que apresentaram os sintomas foram tratados pelos pesquisadores, e, de acordo com a Elan e Wyeth Ayerst, a maioria se recuperou.
O que se aprendeu desde que a administração da droga AN-1792 foi suspensa?
A causa exata da inflamação cerebral não foi determinada. As empresas e os pesquisadores estão estudando com profundidade o assunto a fim de descobrir por que alguns pacientes desenvolveram esses sintomas, como também para determinar quais conclusões podem ser extraídas dos dados estatísticos desse ensaio.
Na conceituada revista Nature Medicine, de 15 de outubro de 2002, Christoph Hock et al. publicaram os resultados de um estudo com 30 participantes na fase II, em Zurique.
Os dados de Hock et al. confirmaram que os participantes haviam desenvolvido anticorpos para a beta–amiloide e que não parecia haver correlação entre a formação desses anticorpos com o risco do aparecimento dos sintomas de encefalite. Os anticorpos não reagiram com a molécula precursora da proteína beta-amiloide (cuja função ainda não é completamente conhecida) encontrada comumente nos nervos e em células de outros tecidos no organismo.
Em 16 de março de 2003, na edição on-line da revista Nature Medicine, cientistas publicaram os resultados da primeira necropsia de uma participante do estudo com a vacina que havia demonstrado evidências dos poderosos efeitos da droga sobre o cérebro.
A mulher era um dos 15 casos que haviam apresentado sintomas de encefalite, e seu cérebro estava seriamente comprometido, em toda sua extensão, com sinais de grave processo inflamatório. Entretanto, em grande parte de seu cérebro não foram encontradas placas amiloides “atacadas” pela vacina (um fenômeno que não foi observado nos 7 participantes que haviam recebido placebo).
Apesar da aparente redução de placas no cérebro, a AN-1792 parecia não ter sido capaz de reduzir os depósitos amiloides nos vasos sanguíneos dessa senhora, fato que também foi encontrado na maioria dos outros pacientes com Alzheimer.
A AN-1792 também demonstrou ser incapaz de “atacar” e prevenir o aparecimento de outras lesões características da doença de Alzh
Veja também:
Antagonista dos Receptores de Glutamato
Inibidores da Acetilcolinesterase (Parte 1)
Inibidores da Acetilcolinesterase (Parte 2)
Novas Drogas - Perspectivas (Parte 1)
Novas Drogas - Perspectivas (Parte 3)