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A adaptação do ambiente onde convivem o paciente e o cuidador é de fundamental importância na prevenção de acidentes.

Um dos primeiros passos a dar quando temos a missão de reorganizar o dia-a-dia para facilitar o convívio diz respeito à organização da casa.

As casas normalmente são construídas e mobiliadas de uma maneira que as tornam verdadeiras armadilhas que favorecem os riscos de acidentes, especialmente para crianças e idosos.

Não se costuma pensar na prevenção de acidentes quando se constrói ou se decora uma residência.

A palavra-chave nesse caso é ADAPTAR e não mudar completamente.

Simplificar e não destituir o ambiente de seus adornos e decoração. Modificar o ambiente para as necessidades particulares do paciente e não mais que isso.

Balancear as necessidades do cuidador e do paciente, pois os dois vivem nessa casa e o bem-estar e conforto deve ser para os dois.

Outra palavra-chave no gerenciamento do enfrentamento do cotidiano é BOM-SENSO.

De acordo com esse conceito básico, bom-senso, é necessário que após o diagnóstico analisemos com visão crítica o ambiente onde o paciente vive.

A primeira análise mostrará vários aspectos ambientais, potencialmente perigosos, que devem ser mudados ou adaptados imediatamente, como a presença de tapetes e tacos soltos, cantos vivos em mesas e móveis, portas de vidro etc.

Fácil acesso aos registros de gás e água, eletrodomésticos perigosos, janelas sem grades ou telas de proteção, amontoamento de móveis que prejudicam a circulação, objetos pesados e às vezes valiosos colocados em locais de fácil acesso, ambientes com portas cujas fechaduras podem propiciar que o paciente se tranque e depois tenha dificuldade em abrir, escadas franqueadas e vários outros aspectos físicos devem ser considerados e, se for o caso, solucionados.

Essas medidas, de caráter geral, independem da característica particular de cada paciente, devendo ser adotadas imediatamente após o diagnóstico ter sido estabelecido.

OS OBJETOS PERIGOSOS

Todos os objetos perigosos devem ser removidos especialmente os pontiagudos, cortantes, quebráveis ou pesados. Ferramentas, lápis, objetos de vidro e cerâmica, pequenos objetos como alfinetes, agulhas, botões, moedas etc. passíveis de serem engolidos.

Checar no mobiliário potenciais perigos: gavetas pesadas que podem cair nos pés ou prender os dedos, saliências pontiagudas e cortantes, mesinhas e cadeiras com rodas de fácil deslizamento etc.

Móveis como, sofás e poltronas altas, revestidos de material lavável e impermeável, amplos e com braços são os mais indicados. 

Os tapetes são totalmente dispensáveis e devem ser removidos pelo alto risco que representam.

O piso para pacientes não incontinentes pode ser acarpetado, preferencialmente confeccionado de material lavável, porém os pisos vinílicos antiderrapantes são a escolha ideal. Atualmente existem no mercado várias opções de cores e padronagens que proporcionam um ambiente seguro,caseiro e aconchegante.

Certifique-se de que não haja extensões ou fios atravessados na área da circulação.

As lâmpadas descobertas são fontes de possíveis queimaduras devendo estar protegidas e inacessíveis a um contato ocasional.

As instalações de lâmpadas acima das portas principais de acesso aos outros cômodos da casa são aconselháveis.

A decoração das paredes com fotos de família ou pinturas de motivo agradável e repousante devem ser mantidas. As molduras devem estar muito bem fixadas à parede impedindo que caiam facilmente.

As etiquetas e placas de identificação são extremamente valiosas. Placas indicando BANHEIRO ou GUARDA-ROUPAS ou mesmo o uso de fotografias de um banheiro colocada à porta do banheiro do paciente e outras soluções criativas acabam por criar uma melhor orientação. A porta do banheiro em cor vermelha, a porta de acesso à sala em verde, os armários em azul e assim por diante ajudam muito a orientação do paciente.

Existe no exterior um rádio-relógio com fita cassete acoplado que, por ser programável, pára de tempos em tempos para dar instruções como “atenção hora do remédio” ou “hora de urinar” etc. que são adaptados a cada caso.

O guarda-roupa deve conter apenas as peças absolutamente necessárias. O uso de etiquetas ou desenhos de identificação nas portas e gavetas com os dizeres: MEIAS, CAMISAS, VESTIDOS, SAPATOS é particularmente útil.

Dependendo do estado do paciente, devemos analisar a possibilidade de remoção da porta dos armários e das tampas das gavetas, garantindo a visualização do interior dos mesmos e facilitando a escolha das roupas.

Os espelhos também devem ser removidos, pois o paciente pode não se reconhecer e assustar-se.

Apesar dos aparentes transtornos com todas essas indicações e evidentemente com a singularidade dessa decoração não minimize o valor destas providências, elas realmente funcionam.

O QUARTO

Prefira as camas convencionais com grades ou proteções laterais, de modo a não afetar psicologicamente o paciente com a lembrança de um ambiente hospitalar. As camas convencionais facilitam as saídas espontâneas e, por serem mais baixas, minimizam os efeitos de uma eventual queda.

Muitos acidentes ocorrem nas horas críticas do “rush” da manhã e durante a noite quando levantam e as conseqüências de uma queda são extremamente sérias, com a possibilidade de fraturas graves como a de fêmur ou até mesmo de crânio.

Dependendo da fase e do grau de confusão mental, a cama será posicionada:

* Se o paciente ainda conserva o hábito de ir sozinho para a cama, esta deve estar localizada de modo a permitir o acesso e saída pelos dois lados;

* No caso de pacientes agitados e para prevenir as quedas pelos dois lados, a cama deve estar encostada em uma das paredes e fixada no solo, sem rodas;

* Se o paciente está em estado de grande debilidade, as camas hospitalares são as mais indicadas e colchões especiais podem ser necessários.

A decoração deve ser simples e os objetos supérfluos devem ser evitados.


Um comutador de luz deve estar ao fácil alcance do paciente quando deitado. Uma luz de vigília,  acesa durante toda a  noite deve ser instalada, assim como a colocação de faixas de material fluorescente que indiquem o caminho do banheiro para que não se perca quando se levanta à noite para urinar.


O BANHEIRO

O banheiro é um dos locais mais perigosos de uma casa.

Sendo assim,especial atenção deve ser dedicada às medidas preventivas de acidentes.

Todas as soluções, medicações e produtos tóxicos devem ser removidos e guardados em local seguro e trancado.

Tesouras, lâminas de barbear, lixas metálicas e outros objetos potencialmente perigosos também devem ser removidos sem concessões.

 Pílulas e objetos pequenos brilhantes e coloridos são uma verdadeira tentação para que sejam colocadas na boca.

 Todos os aparelhos elétricos, secadores, rádios, aquecedores etc. devem ser removidos assim como fios e extensões.


Barras de segurança devem ser instaladas na pia e no percurso normal para o acesso aos equipamentos como o vaso sanitário, box do chuveiro etc.

O box e o vaso sanitário devem estar equipados com essas barras que devem ser robustas e chumbadas na parede ou no chão.  Além de fornecerem base efetiva de apoio e equilíbrio, essas barras desencorajam o paciente a se apoiar em suportes de toalha ou mesmo nas cortinas plásticas da banheira ou Box, propiciando quedas acidentais, de sérias conseqüências.

De preferência devem usar-se as barras coloridas contrastantes com as paredes para facilitar rapidamente sua identificação.
 
A fechadura da porta do banheiro deve permitir abertura pelos dois lados.

No caso do uso de banheiras nunca encher mais que 1/3 da capacidade e nunca deixar o paciente só. Existem cadeiras próprias para serem utilizadas dentro das banheiras, conferindo segurança e comodidade.

O vaso sanitário deve estar guarnecido com barras de segurança lateral que facilitem o ato de levantar e sentar. A altura dos vasos, dependendo de cada paciente, pode ser adaptada com módulos que acrescentam cerca de 15 cm à altura do vaso (sóculo), ou ainda os adaptadores de altura .

A tábua do vaso deve ser rígida evitando-se as acolchoadas que permitem ou facilitam um eventual deslizamento.

Normalmente os pisos de banheiro são de material escorregadio. É importante que sejam colocadas faixas de material antiderrapante ou, se possível, que o piso seja trocado por material rugoso, normalmente de material vulcânico.

Tapetes de borracha que se acoplam ao solo por sucção devem ser usados nas áreas críticas de acidentes: box, vaso sanitário etc. O sabão líquido é mais prático e seguro que os sabonetes convencionais.

Os aquecedores a gás são potencialmente perigosos e devem ser eliminados.

Os chuveiros elétricos instalados dentro das especificações de segurança e situados em nível de difícil acesso cumprem com mais segurança o objetivo de aquecer a água para o banho.

Outra providência diz respeito à temperatura da água.

Pacientes confusos podem se queimar involuntariamente pela dificuldade em discernir o quente do frio. Para evitar altas temperaturas, é  relativamente fácil trocar a resistência dos chuveiros e instalar mecanismos de controle.

As maçanetas e torneiras devem ser de fácil manuseio, evitando-se as arredondadas e lisas dando preferência às do tipo alavanca, confeccionadas em material leve.

Dependendo do grau de confusão mental do paciente, as torneiras e maçanetas que não desejamos que estejam acessíveis podem ser confeccionadas de forma a poderem ser retiradas com uma simples chave de fenda e guardadas em local trancado. Quando o paciente for banhar-se, recoloca-se as torneiras necessárias, ajusta-se a temperatura desejada e se houver necessidade ou se o paciente gosta de se demorar no banho e se tem-se convicção de que está em segurança, pode-se retirar as torneiras e voltar alguns minutos mais tarde.

Pelo alto risco de acidentes,essa atitude deve ser seriamente pensada e só se aplica a situações emergenciais, como atender um telefone ou porta e só na fase inicial da doença com leve comprometimento cognitivo.

O uso dos chuveiros manuais é bastante válido e certos pacientes desfrutam melhor esse momento com a possibilidade do direcionarem o jato durante o banho.

Os objetos de uso pessoal e de higiene devem somente atender às necessidades básicas e elementares, uma toalha, sabão líquido, escova e pasta dental  e papel higiênico é o suficiente. Todos os outros objetos devem estar em local seguro.

Os bidês são dispensáveis e a sua retirada exclui um fator de risco nas quedas, especialmente traumas de crânio e da região torácica. A sua retirada ainda aumenta a área livre de circulação, facilitando o uso de aparatos úteis como cadeiras de rodas e cadeiras de banho.

Vale aqui também a regra de simplicidade e praticidade. Tudo que for supérfluo e desnecessário deve ser retirado do ambiente em questão.

Usando o bom-senso, ao analisarmos as reais necessidades do paciente, encontramos as respostas certas.

A COZINHA

Depois do banheiro a cozinha é o local mais perigoso da casa.

Isso é facilmente entendido uma vez que nesse ambiente encontramos materiais tóxicos de limpeza, pisos escorregadios, panelas com alimentos quentes, os bicos de gás, a chama do fogão entre outros perigos como liquidificadores etc. Fornos, bujão de gás, facas e objetos cortantes, objetos quebráveis como copos e louças em geral devem estar em local seguro e completamente fora do alcance do paciente. Só devem estar à mão acessórios que não ofereçam perigo potencial.

Em alguns países as empresas fornecedoras de gás, colocam gratuitamente, mediante comprovação de residência do paciente com Alzheimer, válvulas de segurança específicas.

Os fornos elétricos modernos são fonte de graves acidentes devendo ser mantidos em local seguro e inacessível.

Não se deve permitir o livre acesso à cozinha do paciente desacompanhado. Trancar a cozinha pode ser uma solução. A colocação de uma tranca no alto da porta é uma boa alternativa.


Torneiras que se fecham automaticamente por mecanismo simples, também previnem que no caso de esquecimento se evite desperdício e às vezes alagamento do local.

A geladeira também merece atenção.

Alguns pacientes se não são convenientemente supervisionados, podem abrir a geladeira e comer compulsivamente.

Fora restrições evidentes aos pacientes diabéticos e portadores de doenças cardiovasculares, como insuficiência cardíaca e hipertensão arterial, o aparecimento de distúrbios gastro-intestinais com vômitos e diarréias pode ocorrer. A colocação de fechaduras evita essa possibilidade.

É interessante lembrar aqui, neste ponto, especialmente para aqueles que não são familiares ou cuidadores, que apesar destas medidas aqui propostas parecerem excessivas e fantasiosas, são na realidade as únicas formas de prevenção e uma possibilidade de melhoria de qualidade de vida não só para o paciente como também para seus familiares e cuidadores.

Para o verdadeiro cuidador, que no dia-a-dia enfrenta uma série de situações inusitadas, a eliminação de uma possibilidade de imprevisto redunda em grande alívio. O caso específico de colocação de fechadura ilustra de modo claro como uma medida simples elimina definitivamente uma possível intercorrência, tornado o acesso a alimentos e objetos perigosos e cortantes sob absoluto controle e segurança.

Na cozinha também existe uma outra possibilidade de acidentes característicos que ocorrem com freqüência.

A ampla gama de produtos contidos em seu ambiente e a diversidade de coloração dos pacotes, temperos, fósforos e outros objetos especialmente os confeccionados com plásticos de cores vibrantes,atraem a atenção dos pacientes que podem levá-los à boca e deglutí-los.

A ingestão de produtos de limpeza ou mesmo de condimentos fortes como pimentas em conserva pode ocorrer, desencadeando transtornos de variada gravidade. Desta maneira é importante que a cozinha esteja livre desses objetos, que devem ser colocados em local seguro e inacessível ao paciente.

Normalmente os pisos são de material liso propiciando as quedas. A cozinha assim como os banheiros são áreas passíveis de estar com seus pisos molhados, úmidos ou engordurados potencializando o risco. Deve-se, portanto, avaliar a possibilidade de se colocarem faixas antiderrapantes ou, dentro das possibilidades de cada um, providenciar a troca por revestimento mais adequado com características antiderrapantes. A colocação de tapetes aderentes de borracha nas áreas críticas também pode ser uma alternativa.

Assim como em outros cômodos da casa, a cozinha contém móveis que podem representar perigo se possuem cantos vivos potencialmente cortantes.

Móveis e mesas de vidro devem ser evitados e se possível, eliminados.

Ainda com respeito aos móveis, uma importante fonte de acidentes são as gavetas.

A tendência é de manter em gavetas superiores objetos pesados, como no caso de talheres. Se essas gavetas são passíveis de serem retiradas totalmente do encaixe podem cair nos pés do paciente com a ocorrência de ferimentos e fraturas. A colocação de fechaduras nas portas de acesso às gavetas ou a fixação das mesmas de modo a não saírem totalmente dos encaixes devem ser providenciados.

Ao contrário do que se observa,uma outra solução prática é a mudança destas gavetas para nível mais baixo possível do móvel reservando a parte superior para a guarda de objetos leves.

AS ESCADAS


Especialmente no nosso país a presença de escadas em casas é bastante comum.

Os dormitórios costumam ocupar o piso superior e as áreas de convívio, o piso inferior. Essa ligação, promovida pelas escadas é sede freqüente de acidentes graves.

É bom que se ressalte que, tendo em vista a multiplicidade de problemas imprevistos que ocorrem no dia-a-dia quando se cuida de um paciente totalmente dependente e da imprevisibilidade das reações, qualquer acidente, mesmo leve, conduz a situações de grande tensão e desespero. Uma simples torção de tornozelo no paciente demenciado pode refletir substancialmente no aumento da carga já suportada pelo cuidador e, além disso, transtornar e modificar rotinas pré-estabelecidas, prenúncio de um verdadeiro caos nesse difícil e trabalhoso convívio.

A regra geral que conduz a nossa preocupação com os aspectos ambientais é usarmos todos os recursos possíveis mesmo aqueles à primeira vista excessivos e bizarros na tentativa de prevenir acidentes possíveis de serem previstos, pois mesmo com todas essas medidas, acidentes podem ocorrer. A regra então é eliminarmos os previsíveis, reservando o nosso ânimo para outras possibilidades não suspeitadas.

As escadas devem ser equipadas com corrimão robusto e de fácil apreensão. A cor deve ser contrastante com a parede e instalado apenas em uma parede lateral, correspondente ao lado onde a largura dos degraus for maior.

Temos visto a instalação de corrimão nas duas paredes e essa medida é inadequada por duas razões: A primeira é que como sabemos, o paciente demenciado encontra dificuldade em fazer escolhas e pode titubear quanto a qual corrimão utilizar; aumentando sua desorientação e confusão. A segunda é que existe a possibilidade do paciente resolver utilizar os dois corrimãos o que vai acarretar uma posição incômoda, instável e antinatural com a probabilidade de uma queda.

Se os degraus são carpetados é bom que se verifique se estão absolutamente presos, sem rugas ou saliências. Se o piso é de material liso e, portanto perigoso temos que providenciar o seu revestimento por material adequado.

O final da descida, ou seja, o piso que imediatamente se segue ao último degrau também merece a nossa atenção, pois pisos de pedra ou madeira aumentam a gravidade das quedas, eles devem ser de preferência revestidos de material que de algum modo colaborem como amortecedores no caso de acidentes, como o carpete.


Dependendo do grau de deterioração ou ainda do comportamento do paciente, a instalação de portões ou restrições por grades às escadas deve ser instalada especialmente na parte superior.

Independente do grau de deterioração as escadas devem ser obrigatoriamente muito bem iluminadas e de preferência nas 24 horas do dia.

Uma medida complementar de segurança diz respeito à coloração da face anterior dos degraus. A pintura ou colocação de placas fluorescentes de cor laranja, vermelho ou amarelo nesses locais aumenta a segurança alertando o paciente e facilitando sua visualização em termos de indicação da altura a vencer.

Outra medida adicional de segurança é a sinalização das escadas: grandes flechas pintadas ou cartazes indicando a direção a seguir colaboram na orientação dos pacientes. Essa medida é interessante, pois o paciente desorientado e com problemas de memória no meio da descida pode esquecer ou não entender o que está fazendo ali. Esse sentimento de abandono e confusão leva a uma agitação imediata e conforme o local onde isto está ocorrendo à possibilidade de um acidente é bastante acentuada.

Torna-se claro que a melhor medida de segurança é o acompanhamento e a supervisão constantes durante as 24 horas do dia.

Porém,como isso nem sempre é possível,com estas medidas estaremos de alguma forma conferindo ao paciente algum grau de independência e liberdade dentro do seu “habitat”, com relativa segurança e portanto prevenindo muitos acidentes.


Soluções mais sofisticadas como elevadores de escadas que são instalados no corrimão são de manejo relativamente simples.

Os elevadores residenciais, se bem que úteis, são caros e sua instalação, mesmo quando possível, é bastante complicada.

OUTROS AMBIENTES

De uma maneira geral o mobiliário deve estar colocado de modo a permitir uma circulação livre, desprovida de obstáculos.

Os corredores devem estar bem iluminados e desimpedidos de vasos de plantas e qualquer mobiliário.

Os fios elétricos e extensões não devem atravessar, sob nenhuma hipótese, as áreas de circulação.

Móveis leves como cabideiros de entrada, possíveis de serem puxados devem ser fixados à parede.

Se verificarmos que o paciente, invariavelmente, tromba de encontro a determinado móvel ou parede, algumas medidas podem ser adotadas. Se não houver possibilidade da remoção do obstáculo em questão, a colocação de fitas ou placas fluorescentes, exatamente no local em questão ou mesmo a colocação de uma fotografia que lhe seja familiar pode alertá-lo e chamar sua atenção evitando o acidente.

As tomadas devem ser protegidas por artefato específico de baixo custo facilmente encontrado no comércio.

Outro fator de segurança é relativo aos locais onde o paciente possa trancar-se. O dia-a-dia colabora de modo negativo no estabelecimento dos padrões de independência do paciente. Pacientes em fases iniciais utilizam determinados ambientes, como banheiros, trancam-se e depois saem normalmente. Com o passar do tempo, sem que nos apercebamos as dificuldades aumentam e subitamente estaremos diante de uma emergência. O paciente entrou, trancou-se e não sabe destrancar a porta. Para evitar que isso aconteça e visando proporcionar o maior grau possível de independência, autonomia e dignidade, algumas medidas devem ser adotadas. A mais simples delas é que todas as portas possam ser destrancadas pelos dois lados.

As fechaduras e maçanetas parecem atrair de maneira especial os pacientes demenciados, pois existem pacientes que ficam horas manipulando as maçanetas ou tentando abrir as fechaduras com uma chave imaginária. A simples mudança desses artefatos para lugares mais altos ou inferiores podem solucionar o problema. As maçanetas grandes e brilhantes ou coloridas atraem a atenção e uma solução é trocá-las por maçanetas simples de coloração suave de pequena dimensão.

Com respeito às fechaduras de modo geral, elas não devem ser do tipo bate-tranca, pois esse tipo favorece a possibilidade de o indivíduo permanecer só e confuso fora da própria casa, sem possibilidade de retornar.

As portas de preferência não devem estar com chaves, que devem ser guardadas em local seguro e devidamente identificadas para sua utilização. Uma medida alternativa é a de termos um jogo de cópias de todas as chaves da casa.

Com respeito aos banheiros, algumas medidas como a colocação de portas com vãos na parte superior ou inferior que permitam a visualização do interior se necessário, assegurando a privacidade, fechaduras que possam ser utilizadas dos dois lados.

As portas devem abrir para fora do ambiente de modo a tornar possível a abertura no caso do paciente desmaiar e seu corpo impedir a abertura para ser socorrido.

A colocação de travas em posição alta ou junto ao chão são eficientes e não costumam ser percebidas pelos pacientes.

Recursos mais sofisticados são censores aplicados às roupas dos pacientes que acionam alarmes quando algum local vigiado é transposto.


Outra medida pouco usual, porém favorável, é a colocação de fechaduras eletrônicas acionadas por códigos.

A criatividade e as condições individuais de cada caso comporão o perfil de providências necessárias.

Existe um centro de cuidados diurnos na Califórnia, EUA, especializado em doença de Alzheimer onde, na impossibilidade de se manter um porteiro durante 24 horas do dia e tendo em vista que há uma grande circulação de familiares, instalou-se uma fechadura acionada por código numérico e para ser acionada pelos familiares foi colocada uma placa acima do painel com os dizeres: para abrir aperte as seguintes teclas 2-3-9-8-7- AO CONTRÁRIO! 

Essa medida inteligente limita os pacientes mesmo na fase inicial. Esse exemplo ilustra a enorme gama de possibilidades na adaptação ambiental, para o melhor convívio com o paciente.

Os passeios fora de casa devem ser incentivados, porém são sedes de grandes perigos como a ingestão de substâncias inadequadas como plantas, especialmente frutinhas de árvores e um sem-número de outras possibilidades. O risco de intoxicação e envenenamento é bastante provável quando permitimos que o paciente fique desacompanhado no exterior de casa. Fora de casa, no quintal ou em outras áreas externas a supervisão é sempre complicada.

Os locais externos também podem estar molhados e apresentarem saliências, depressões no piso facilitando quedas acidentais.

Em locais próximos de lojas, piscinas ou no carro, não devemos nunca deixar o paciente desacompanhado.

Quanto às piscinas, pessoas que costumavam nadar esportivamente podem esquecer-se dos movimentos, confundirem-se e afogarem-se mesmo em locais rasos.

O paciente demenciado pode propiciar ao cuidador uma viagem de carro tensa e penosa. Ele pode assustar-se com buzinas ou ruídos altos de escapamentos, caminhões e mesmo os reflexos dos vidros e espelhos do automóvel. Tendo em vista a possibilidade de apresentar alterações súbitas de comportamento com agitação psicomotora, algumas medidas preventivas podem ser propostas:

O lugar de escolha para o paciente ser transportado é o banco traseiro da direita.

O uso de cinto de segurança é imprescindível e no caso do carro de 4 portas, travas que impeçam a abertura por dentro devem ser instaladas.

Existem pacientes que desfrutam o passeio de carro, porém, há outros que os detestam.

Normalmente a resistência a viagens fica por conta do medo do desconhecido e da mudança súbita de ambiente além  do fato de ter seu acompanhante voltado para outra atividade, dirigir, em vez de estar com ele.

Para contornar essas situações não existem regras pré-estabelecidas; a colocação de algum objeto familiar que o interesse ou algo que o entretenha é uma boa medida.

Pacientes tensos e amedrontados às vezes se acalmam se são deitados no banco traseiro.

Providencie para que não haja no carro pequenos objetos passíveis de serem engolidos e finalmente nunca deixe o paciente só dentro do carro, nem por um minuto. Ele pode soltar o freio de mão, sentir-se preso e tentar abrir as portas ou quebrar os vidros com conseqüências facilmente imagináveis.

Por intermédio de uma lista de verificação, é possível sabermos o grau de segurança  da residência.

Ao lado de cada perigo potencial, estão as providências a serem adotadas.

Esta lista deve ser utilizada periodicamente.

LISTA RÁPIDA DE VERIFICAÇÃO DE SEGURANÇA

BANHEIRO
Substâncias venenosas retiradas
Medicamentos guardados
Tapetes antiderrapantes colocados
Barras de segurança instaladas
Prevenção de queimaduras (chuveiros) regulados
Circulação desbloqueada
Superfícies deslizantes protegidas
Espelhos cobertos/retirados
COZINHA
Eletrodomésticos perigosos fora de alcance
Superfícies cortantes protegidas
Objetos perigosos, facas, espetos guardados
Material tóxico, detergentes etc retirados
Superfícies lisas protegidas
Pequenos objetos passíveis de serem engolidos retirados
ESCADAS
Piso liso revestido
Tapetes soltos retirados
Acessos livres bloqueados
Corrimão instalado
Portões de acesso com trava colocados
Luz de vigília instalada
QUARTO
Luz de vigília instalada
Lâmpadas, aquecedores, tomadas protegidas
Interruptores de difícil manejo trocados
Pequenos objetos passíveis de serem engolidos retirados
Faixas coloridas, fluorescentes indicando o caminho
do banheiro
fixadas/pintadas
Tapetes retirados
Espelhos retirados
Móveis muitos baixos, cadeira, sofá trocados/adaptados
Cama alta trocada/adaptada
Extensões elétricas retiradas/embutidas
Quadros pesados fixados/retirados
Superfícies cortantes protegidas
Tacos soltos colados
Abajur fixado

   

    

  



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