Dentre as características da doença de Alzheimer, o comprometimento cognitivo gradual de evolução lenta acaba por afetar as funções cognitivas específicas globalmente, configurando um quadro afásico, apráxico, agnósico e amnéstico.
Assim, é necessário que um estudo integral avalie a linguagem, a coordenação motora, as condições perceptivas sensoriais, a capacidade de abstração, o raciocínio, a atenção, o cálculo e a memória.
Pode-se perceber que uma investigação completa demanda que vários testes sejam aplicados para que se avalie adequadamente, tanto do ponto de vista qualitativo como quantitativo, o estado cognitivo de cada paciente. Isto permite não só estabelecer o estado atual, como também auxiliar o diagnóstico diferencial e oferecer um instrumento mais preciso para avaliar-se as alterações futuras, sejam elas negativas ou positivas. Se não contarmos com esse recurso, será difícil valorarizar pequenas alterações durante a evolução da doença.
A avaliação cognitiva pode ser feita a partir de dois níveis de complexidade.
Um de rápida e fácil aplicação onde se avalia quantitativamente o estado cognitivo e funcional por intermédio de testes abreviados e por uma escala que determinará o grau de autonomia do paciente.
Estes testes e escalas, associados a outros que colaboram na exclusão de outras doenças, como depressão e múltiplos infartos, não necessitam de grande sofisticação e são de fácil aplicação.
Num segundo nível, quando existe a necessidade de se aprofundar a avaliação, a utilização de métodos mais sofisticados, detalhados e complexos são privativos, em sua aplicação e interpretação por profissionais especializados.
As características principais que devem conter os testes são: simplicidade, sensibilidade e confiabilidade. Os testes devem ser preferencialmente padronizados e reproduzíveis. Devem estabelecer o diagnóstico precoce do déficit, determinando sua natureza e importância e avaliar o grau de dependência e autonomia do paciente para as atividades básicas e instrumentais da vida diária.
O bom senso na escolha do teste a ser aplicado é fundamental, uma vez que vários fatores podem interferir no resultado final, mascarando o resultado da avaliação.
Para uma escolha correta é necessário que se leve em conta alguns fatores que podem interferir no resultado da investigação cognitiva: o nível de escolaridade, as diferenças geográficas, a cegueira, a surdez, a limitação motora, o asilamento, os costumes, culturas e dificuldades com o idioma.
Outro fato a ser comentado refere-se à graduação do resultado. Quando as pontuações são extremas não há dúvida; quando o resultado se encontra nas zonas fronteiriças é necessário que a investigação seja aprofundada.
TESTES NEUROPSICOLÓGICOS
Essas provas são excelentes instrumentos complementares à investigação clínica. São inúmeras as baterias de testes neuropsicológicos, mas a grande maioria de difícil aplicação em pacientes idosos.
Devem ser administrados por profissional especializado sendo especialmente úteis em casos fronteiriços na diferenciação de processos demenciais iniciais.
Algumas baterias de testes como a proposta por Withers e Hinton’s incluem 33 questões e requerem em média 30 minutos para serem aplicados. Sabemos que pacientes idosos e/ou portadores de demência, colaboram muito pouco e por pouco tempo quando submetidos a interrogatórios e não é incomum que, pressionados, acabem reagindo com importantes episódios de agitação e até mesmo de agressividade.
MINI EXAME DO ESTADO MENTAL -MEEM-
Do ponto de vista prático, para uma primeira análise do estado cognitivo, o teste mais difundido e de maior validade é o MEEM ( Folstein -1975)
O MEEM é passível de ser aplicado rapidamente, em 5 ou 10 minutos no máximo, e fornecer imediatamente um indicador razoavelmente aceitável da possibilidade de demência.
Como todos os testes breves, apresenta limitações, contudo é válido especialmente na avaliação preliminar dos distúrbios cognitivos para pessoas idosas com mais de 8 anos de escolaridade.É na realidade um divisor de águas.
O MEEM pode ser aplicado pelo próprio médico, no decorrer da consulta e não requer material sofisticado.
É especialmente indicado para avaliação de grandes grupos populacionais, com fins de análise estatística de incidência e prevalência de demência.
Todos os profissionais de saúde devem estar familiarizados com esse instrumento no sentido de tentar estabelecer, de modo padronizado e com razoável confiabilidade, os processos demenciais.
Espera-se uma perda de 2 a 3,5 pontos por ano em pacientes com doença de Alzheimer.
MINI EXAME DO ESTADO MENTAL - MEEM
Máximo Orientação
5 ( ) Em que ano, mês, estação do ano estamos?
5 ( ) Onde estamos: estado, país, cidade, hospital?
Registros
3 ( ) Nomeie 3 objetos: diga palavra por palavra, devagar; peça ao paciente que repita as três palavras. Dê um ponto para cada resposta correta. Então repita todas novamente, para que ele aprenda.
Atenção e Cálculo
5 ( ) Peça ao paciente que conte de trás para frente, começando do nº 100, de 7 em 7. Pare depois da 5ª resposta. Alternativamente peça para soletrar “mundo” ao contrário.
Memória
3 ( ) Peça que ele repita as três palavras. Dê um ponto para cada resposta correta.
Linguagem
9 ( ) Mostre um lápis e um relógio, peça-lhe que os nomeie (2 pontos).
- Peça que repita o seguinte:
“nem sim, nem não, nem porque” (1 ponto).
- Dê as 3 seguintes ordens:
“Pegue esta folha de papel com a mão
direita, passe a folha para a mão esquerda,
coloque a folha no chão” (3 pontos).
- “Leia e faça o que está escrito”:
“FECHE OS OLHOS” (1 ponto).
“Escreva uma frase” (1 ponto).
“Copie este desenho” (1 ponto).
Total ( )
Avalie o nível de consciência:
Alerta () sonolento () prostrado () coma ()
MINI EXAME DO ESTADO MENTAL
Instruções para administração:
Orientação
1) Pergunte pela data de hoje. Em seguida, pergunte especificamente pelos dados omitidos, ex.: “Pode me dizer também em que estação do ano nós estamos?” Um ponto para cada resposta correta.
2) Pergunte por partes: “Pode me dizer o nome deste hospital?” (cidade, país etc.). Um ponto para cada resposta correta.
Registro
Pergunte ao paciente se você pode aplicar-lhe um teste para avaliar sua memória. Diga o nome de 3 objetos que não se relacionem entre si, fale lenta e claramente, dê um espaço de um segundo entre cada palavra. Depois de dizer as 3 palavras, peça que ele as repita. Esta primeira repetição determina o escore (0 a 3), continue repetindo as palavras, por no máximo 6 vezes, até que ele repita todas as 3. Se ele não se lembrar das palavras, esta fase do teste deverá ser interrompida, sem insistência.
Atenção e Cálculo
Peça o paciente que conte começando do número 100, de 7 em 7, ao contrário. Peça que pare depois da 5ª subtração (93, 86, 79, 72, 65).
Determine o escore pelo total de acertos.
Se o paciente não conseguir ou não quiser fazer esta conta, peça-lhe que soletre a palavra “mundo” de trás para frente. O escore será o número de letras que ele disser na ordem correta, ex.: odnum = (5), odunm = (3).
Memória
Pergunte ao paciente se ele pode relembrar as 3 palavras que você lhe pediu que guardasse na memória. Escore 0 a 3.
Linguagem
Nomeando: Mostre ao paciente um relógio de pulso e pergunte o que é isso. Repita com um lápis. Escore 0 a 2.
Repetição: Diga uma frase e peça ao paciente que a repita. Repita apenas uma vez. Escore 0 a 1.
3 Ordens: Forneça ao paciente uma folha de papel em branco e peça que ele escreva uma frase para você. Não dite a frase, é preciso que ele escreva espontaneamente. Verifique se a frase contém sujeito, verbo e se faz sentindo. A gramática e a pontuação não é preciso avaliar.
Copiando: Numa folha de papel em branco, desenhe um pentágono dentro do outro, com a diferença de 2 cm e peça que ele copie exatamente. Se os 10 ângulos estiverem presentes e 2 intersecções o escore será de 1 ponto. Tremor e rotação: ignore.