Uma das palavras-chave para um convívio harmonioso com o paciente é PLANEJAMENTO.
A antecipação de algumas situações, dependendo de cada caso, é previsível.
Podemos ilustrar este fato: se um paciente é vagante e invariavelmente está tentando abrir a porta, podemos antecipar que ele é um sério candidato à evasão e conseqüentemente pode se perder e sofrer um acidente de trânsito. Por outro lado, pacientes limitados ao leito em função de doenças crônicas e invalidantes, porém fumantes, são sérios candidatos a deflagrarem um incêndio.
As perguntas a serem feitas são: Que perigos tenho que prever? Que medidas tenho que tomar?
De um modo geral, algumas medidas ou providências servem para todos os casos: manter-se calmo e descansado.
Fácil de dizer e difícil de fazer. Todavia, este conselho contém uma advertência maior, pois está comprovado que os acidentes e situações de emergência ocorrem com muito mais freqüência quando estamos apressados, tensos e cansados.
Algumas providências aqui propostas podem colaborar com o bem-estar do cuidador vindo a minimizar estas complicações.
Os membros da família e pessoas que convivem no mesmo ambiente devem ser avisados da possibilidade de piora do quadro demencial do paciente, confusão, irritabilidade e mesmo forte agressividade quando presenciam sem entender o mérito, brigas e discussões entre pessoas. Ambientes tensos favorecem a ocorrência de acidentes.
Tenha à mão telefones úteis: do corpo de bombeiros, de parentes e amigos, do médico e outros que você julgue importantes.
Alguns telefones possuem memórias onde apenas com um toque, as ligações são acionadas; representam um bom recurso pois, quando em pânico, a coordenação entre lembrar, encontrar o número e fazer a ligação corretamente pode se tornar uma tarefa difícil, comprometendo a rapidez na solicitação de socorro. Medidas complementares como a identificação do paciente, checagem sistemática de informações obtidas, assim como a reavaliação constante do grau de autonomia e dependência são de grande valia.
Reavalie sempre o ambiente, checando se existem possibilidades de acidentes, acesso ao registro de gás etc.
Não acredite no que o paciente diz sem confirmar a informação. “comi bem, fechei a torneira, apaguei o cigarro”. Confirme!!
ENGASGAMENTO
Outro aspecto importante com respeito a situações de emergência é a de reconhecermos quando estamos realmente frente a uma verdadeira emergência.
Um incêndio é uma emergência e todos sabem disso, mas algumas situações aparentemente emergenciais podem ser resolvidas com calma e boa informação.
A diferença entre estas duas condições é difícil, especialmente porque normalmente o cuidador não foi preparado e treinado para fazer este discernimento, especialmente nas questões ligadas à saúde.
Os sinais de alerta, nos dão uma segura diretriz a respeito desse assunto, porém algumas situações de real emergência devem ser identificadas e contornadas imediatamente sob pena de se darem gravíssimas conseqüências, até a ocorrência de óbito.
Uma destas emergências é o engasgamento.
Se um paciente engasga e apresenta comprometimento de sua respiração, temos que agir imediatamente, por nós mesmo; não haverá tempo para pedirmos socorro.
O engasgamento é ocorrência relativamente comum nos pacientes, uma vez que se relaciona com o ato de deglutir que pode estar comprometido em função da diminuição da coordenação dos movimentos envolvidos.
A primeira providência contra o engasgamento é a prevenção.
Não se deve oferecer ao paciente, alimentos ou guloseimas difíceis de serem dissolvidas na boca para serem deglutidos. Balas duras, nozes e avelãs, amendoim, chicletes e mesmo certas drogas, comprimidos ou cápsulas, são perigosos. Alimentos sólidos e secos em grandes pedaços devem ser evitados.
Os alimentos picados, tenros, pastosos ou semi-sólidos são os mais indicados.
Outra providência é não alimentar o paciente em posição deitada em estado de sonolência ou agitação, condições que favorecem a aspiração.
Os alimentos muito liquidificados e os líquidos em geral, à primeira vista parecem ser de fácil deglutição, mas não são e favorecem os episódios de aspiração. Os alimentos semi-sólidos e pastosos são mais fáceis de deglutir, pois passam por um processo anterior de preparo da musculatura envolvida, pela mastigação.
Se o paciente engasgou, porém respira sem dificuldade e tosse para eliminar a substância de sua árvore respiratória, não há nada a ser feito. Acalme-se e assista-o até que o episódio esteja superado. Uma volta ao ar livre, após o episódio ter sido superado é sempre uma medida recomendável, que fará bem, acalmando os dois, o paciente e o cuidador.
Se o paciente engasga e não pode tossir ou respirar, estaremos diante de uma real emergência.
A primeira medida é a tentativa de remoção manual do agente causal, que pode ser alimentos ou mesmo pontes ou próteses dentárias. A possibilidade de ser mordido pelo paciente existe, porém instintivamente costumam colaborar nesta manobra.
Os tapas nas costas não costumam ser eficientes, quando o engasgamento é realmente sério.
Uma manobra conhecida e de fácil execução é a Manobra de Himlich.
Nos colocarmos por trás do paciente e o abraçamos com as mãos na região imediatamente abaixo das costelas, na região do estômago, e fazemos uma compressão profunda e rápida, propiciando a expulsão do agente obstrutivo.
Treine esta manobra com alguém para estar preparado para efetuá-la, se necessário.