VESTIR
O uso das roupas deve obedecer a algumas regras específicas.
As opções devem ser limitadas a poucas peças. Estas devem ser dispostas na ordem em que serão vestidas, observando-se uma coordenação em termos de cores, que favoreçam amplas composições, evitando-se combinações bizarras.
O guarda-roupa do paciente deve conter apenas o necessário.
Gravatas, cintos e acessórios devem ser retirados, bem como roupas difíceis de vestir.
Deve ser feita uma seleção nas roupas, verificando-se a real utilidade de cada peça conforme a estação, para propiciar a praticidade.
Todas as peças que tenham pouca possibilidade de ser utilizadas devem ser retiradas do guarda-roupa, dando-se preferência às roupas amplas, confortáveis e práticas, discretas, tanto quanto aos modelos, como quanto às cores e sua combinação entre si. Roupas com elástico ou velcro são mais fáceis de vestir, as com botões devem ser evitadas.
As cores principais que servem de base a uma boa variação e boas combinações encontram-se entre o azul, o verde e o marrom, com suas variadas tonalidades.
A boa apresentação do paciente colabora para melhorar a sua auto-estima e traduz a qualidade dos cuidados que lhe estão sendo ministrada
Os pacientes com doença de Alzheimer costumam apresentar variações de peso, emagrecendo e eventualmente ganhando peso e suas roupas devem permitir estas adaptações.
A presença de um bolso apenas ,não muito profundo ,evita que o paciente se irrite, buscando determinados objetos.
Certos pacientes se entretêm manipulando linhas e costuras e desta maneira as roupas devem primar pela simplicidade e conforto, não devendo ser apertadas e sim amplas e confortáveis, sem costuras aparentes.
Os pijamas, especialmente para as mulheres, são mais complicados de vestir do que as camisolas, que são vestidas pela cabeça em um só movimento.
Para os homens deve-se dar preferência às camisas do tipo pólo e blusas de lã com gola em “V”.
Os calçados com cadarço são poucos práticos; deve-se dar referência aos mocassins, sem fivelas, franjas etc... Dependendo das habilidades residuais, determinados artefatos específicos de ajuda para calçar sapatos e meias podem ser utilizados.
Certos pacientes ainda mantêm discernimento para optarem a respeito do que querem vestir. Muitas vezes elegem algumas peças como suas favoritas e insistem em usá-las todos os dias. Na impossibilidade de aceitarem outras roupas que não as preferidas, réplicas e duplicatas, dos modelos teimosamente requisitados resolvem o impasse.
Certos cuidadores preparam conjuntos de roupas pré-estabelecendo o uso de determinadas combinações deixando o paciente optar pelos conjuntos e não por peças isoladas.
É comum que digam que as roupas que não os atraem não lhes pertencem, assim o uso de etiquetas ou de alguma outra forma de identificação são um grande argumento para que os pacientes as aceitem com mais facilidade.
O ato de vestir pode trazer instabilidade no equilíbrio favorecendo as quedas. Alguns cuidadores costumam sentar-se para supervisionar este ato com o paciente sentado; outros se colocam em pé, ao lado, em rigoroso estado de alerta para, diante de alguma instabilidade, socorre-los de imediato. O local onde o paciente está se vestindo também deve observar algumas regras. Correntes de ar, móveis com cantos vivos e pisos escorregadios devem ser evitados.
O paciente deve vestir-se sempre no mesmo local. A manutenção de uma rotina cria hábitos que, conferindo maior familiaridade com o ambiente, fazem-no sentir-se mais seguro.
As peças devem ser arrumadas nos guarda-roupas de modo compartimentado. As gavetas devem conter apenas um tipo de peça: meias em uma, camisas em outra etc. Este tipo de organização deve ser obstinadamente observado, pois assegura ao paciente que, quando abrir uma determinada gaveta, encontrará sempre o mesmo tipo de roupa.
Identificar as gavetas e as portas dos armários auxilia na orientação do paciente, refletindo positivamente na manutenção de sua autonomia.
Devemos observar a diferença entre vestir e ajudar a vestir.
Esta postura vem de encontro ao objetivo maior quanto aos cuidados a serem dispensados ao paciente que consiste em manter o máximo possível as habilidades remanescentes.
HIGIENE ORAL
A higiene oral é essencial para a saúde e conforto do paciente. Os dentes devem ser escovados e as próteses devidamente limpas após cada refeição.
Uma boa nutrição começa pela mastigação e desta forma é imperioso que haja zelo pela higiene e manutenção da saúde da boca, dentes e conservação das próteses.
Dentes mal cuidados são sede freqüente de focos de infecção e é necessário que se verifique regularmente as condições dos dentes remanescentes, assim como a condição das próteses.
Se as próteses não estão ajustadas, poderão causar lesões, prejudicando a mastigação e fazendo com que o paciente passe a preferir substâncias de consistência cada vez menor, com conseqüente comprometimento de seu estado nutricional.
O paciente deve ingerir grande quantidade de líquidos promovendo um asseio indireto da boca.
Pacientes que dormem sem ter realizado boa higiene bucal estão propensos a apresentar infecções das glândulas salivares (parotidite) que se manifestam por febre baixa, inchação da região com dolorimento e mau hálito. O mau hálito é um sinal de que algo errado está acorrendo, devendo ser convenientemente checado.
BARBA
A grande maioria dos pacientes se sente melhor quando estão barbeados.
Os barbeadores elétricos são recomendáveis e mais seguros. Se o paciente rejeita esse método, o barbear tradicional deve ser feito por intermédio de aparelhos adequados, com lâminas de segurança. Os aparelhos que expõem a lâmina, sem proteção, são perigosos e, portanto inadequados.
Esta atividade deve ser realizada preferencialmente pelo cuidador face às dificuldades e perigos que apresenta.
MÃOS E UNHAS
A exemplo de muitas crianças, alguns pacientes costumam colocar os dedos na boca, chupando-os ou roendo as unhas. A umidade constante, pela saliva, favorece as lesões de pele assim como a passagem de bactérias das mãos para a boca e daí para o restante do aparelho digestivo.
A manutenção de mãos limpas e unhas aparadas previne estas complicações.
Pacientes com grande grau de deterioração mental podem assumir determinados comportamentos compulsivos, chupando os dedos e roendo as unhas com tal freqüência e intensidade que podem causar danos e complicações de alta seriedade. Nesses casos o uso de luvas com ou sem dedos podem evitar ou pelo menos minorar os efeitos desses distúrbios de ordem comportamental.
PÉS
Os pés podem estar muito úmidos ou muito secos dependendo do clima e da quantidade de ar que recebem.
As unhas devem ser aparadas a cada 2 ou 3 semanas, para se manterem curtas. O corte reto sem que se aprofunde nos cantos evita que se encravem.
As meias de algodão são especialmente indicadas naqueles que transpiram muito, por absorverem a umidade. Andar descalço, se possível, nesses casos é saudável e faz com que os pés recebam diretamente alguma insolação e aeração.
As imersões dos pés em solução morna são relaxantes e removem a pele morta favorecendo o asseio. A massagem com o uso de loções hidratantes colaboram com a boa saúde dos pés.
Nos pacientes diabéticos estes cuidados devem ser redobrados, pelo risco que há de partir de uma lesão infectada, evoluírem para a gangrena e a amputação. O tratamento e corte das unhas deve ser feito por profissional especializado (podologista) e todas as lesões como calos, joanetes e micoses devem ser tratadas pelo médico.
A possibilidade de complicações seríssimas que culminam com a gangrena e amputação justificam estas precauções.
CUIDADOS COM A PELE
Vários fatores influem na manutenção de uma pele saudável.
Boa nutrição e ingestão adequada de líquidos contribuem significativamente e são fundamentais.
Manter a pele hidratada e bem lubrificada às custas de cremes e soluções traz benefícios evidentes.
A massagem aplicada após o banho, além de ser reconfortante e de efeito calmante, favorece a uma melhora da circulação e deve ser realizada com cremes hidratantes.
As escaras de decúbito são por sua freqüência e importância as mais terríveis lesões de pele no paciente demenciado.
CABELOS
Independente do sexo do paciente, os cabelos devem ser preferencialmente curtos.
Reservados os aspectos estéticos e mantidos os comprimentos dentro dos valores do bom-senso e do gosto individual do paciente, os cabelos curtos são mais práticos, pois evitam a transpiração excessiva e eliminam ocorrências desagradáveis, como pedaços de comida ou cabelos imersos no prato durante as refeições, se o paciente se debruça para comer.
É aconselhável que os cabelos sejam lavados fora do horário do banho habitual. A freqüência destas lavagens dependerá de vários fatores: clima, estado de saúde, costumes, sexo do paciente etc. Porém duas vezes por semana é o mínimo aceitável.
Se a pessoa não se assusta com o secador esse recurso deve ser usado. A temperatura do ar deve ser observada para evitar queimaduras.
Os xampus para crianças são realmente um recurso valioso, pois não ardem quando atingem os olhos, devendo ser usados em pequena quantidade facilitando um rápido enxágüe.