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VISÃO

A diminuição da visão acarreta sério comprometimento na qualidade de vida do paciente.

As limitações impostas podem ser de tal gravidade que remetem certos pacientes ao acamamento precoce.

Se bem que devido ao processo de envelhecimento se espere um déficit visual, é imperioso que, sob a supervisão de um médico oftalmologista, todos os cuidados necessários para preservar este sentido devam ser tomados.

A comunicação torna-se um problema de difícil manejo e a visão desempenha importante papel neste aspecto.

Certos déficits visuais são corrigíveis, melhorando em muito a coordenação e relação com o mundo exterior.

É fácil de ser entendido que o paciente por definição encontra-se confuso e desorientado e que, se passa a ter dificuldades em enxergar bem, a confusão e desorientação devem agravar-se.

Este sentido é de tão grande importância que não se deve aceitar um prognóstico fechado e orientações de fundo filosófico, questionáveis, como: “isso é próprio da idade” ou “será difícil acostumá-lo com óculos”, e outras evasivas. Dizer ao médico a importância em se tentar melhorar a visão do paciente demenciado é imprescindível e geralmente bem compreendida.

A demência leva os indivíduos a terem dificuldade em identificar cores suaves e suas tonalidades.

Deve-se usar sempre o recurso das cores contrastantes, pois uma porta de cor clara em uma parede branca poderá não ser devidamente identificada.

De um modo geral, os pisos e tapetes com desenhos geométricos, especialmente os de padronagem quadriculada ou com listras, costumam confundir os pacientes, pois quando demenciados, passam a ter dificuldade em identificar planos profundos.

Os grandes contrastes também podem confundir, especialmente nos pisos, uma vez que o indivíduo apresenta uma lentificação em sua adaptação ocular. As bruscas mudanças de luz também afetam negativamente a visão, por esse mesmo déficit de adaptação.

Assim é importante que se tente manter o ambiente iluminado com uma intensidade constante. Ao entardecer, as luzes devem estar ligadas antes de escurecer. É muito conhecido o fato de que pacientes com demência freqüentemente apresentam estados de agitação durante essa transição “sundown syndrome” (Síndrome do Pôr do Sol). Se nos anteciparmos e mantivermos o paciente em ambiente iluminado artificialmente, antes do pôr do sol, os efeitos negativos dessa mudança costumam ser contornados ou pelo menos minimizados.

Durante a noite, as luzes de vigília devem ser utilizadas, melhorando os aspectos de segurança física do ambiente e conferindo uma atmosfera familiar, colaborando para manter o paciente mais calmo e seguro.

Os corrimãos devem ser de cores contrastantes com a parede, os espelhos dos degraus das escadas, em particular o primeiro e o último devem estar pintados por cores fortes e vibrantes. A cor das portas deve contrastar com a das paredes. Os batentes também devem estar com cores que possam chamar a atenção do paciente, evitando que trombem com eles.

Às portas de vidro deve-se aplicar fitas adesivas coloridas à altura dos olhos para que se tente evitar graves acidentes.

O uso de uma corrente para os óculos evita que se percam e uma duplicata, sempre à mão, é recomendável.

As lentes de contato, por seu difícil manejo, devem ser trocadas por óculos.


AUDIÇÃO

A exemplo do que ocorre com a visão, a audição é um sentindo extremamente importante.

Especialmente na comunicação, se há um déficit auditivo, este déficit poderá representar uma séria queda na qualidade de vida do paciente.

Toda e qualquer alteração possível de corrigir ou melhorar deve ser tratada adequadamente.

Por vezes, a simples inspeção mensal dos ouvidos, feita por médico, poderá surpreender tampões de cerume que podem estar impedindo a audição, facilmente removíveis por uso de medicação tópica ou por lavagem auricular.

O uso de cotonetes deve ser criterioso e necessita de orientação especializada. Devem ser usados apenas externa e superficialmente, sob observação direta e nunca aprofundados. O cerume totalmente removido vulnerabiliza o ouvido interno às agressões exteriores, favorecendo as infecções.

O uso de aparelhos para surdez deve fazer parte do repertório de recursos a utilizar.

A adaptação a estes aparelhos pode ser difícil e às vezes impossível. Quanto mais cedo o problema for detectado, maior a probabilidade de uma adaptação bem sucedida.

Os ruídos de fontes não identificadas, por exemplo, um rádio ligado na cozinha, quando o paciente está na sala, pode confundir a atenção do paciente e também prejudicar o entendimento.

O tom de voz a ser utilizado não deve ser agudo ou muito alto, pois os pacientes encontram dificuldades em distinguir sons de alta freqüência.






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