Nos estágios iniciais da doença de Alzheimer muitos pacientes detêm autonomia suficiente para satisfazer suas necessidades fisiológicas.
A manutenção dessa autonomia é de grande importância, aliviando o cuidador de uma tarefa pouco agradável, ao mesmo tempo em que preserva a privacidade, dignidade e sentimento de independência.
Alguns pacientes necessitam que lhes mostrem onde o banheiro está localizado e que lhe desabotoem as vestes. Essa limitação pode ser minimizada e superadas se as roupas forem adaptadas para calças com elásticos.
A localização do banheiro deve ser bem sinalizada, por intermédio de artifícios criativos, que vão desde placas indicativas até com a mudança da cor da porta. De preferência por uma cor berrante, setas pintadas ou de papel cartão afixadas nas paredes ilustradas por desenhos etc.
Um excelente método de se manter essa atividade sob controle e supervisão é o registro.
Registrando os horários normais de micção e os dias e horários das evacuações, estes dados formam um padrão de comportamento e necessidades e desta forma toda e qualquer alteração poderá ser imediatamente detectada e avaliada.
Se conhecemos o padrão de micção e percebemos que o indivíduo está se atrasando demais, podemos lembrá-lo, incentivando-o a ir ao banheiro.
De posse destes registros, pode-se predeterminar horários dentro da rotina cotidiana, acostumando o paciente a urinar e evacuar sempre nos mesmo horários.
Normalmente os pacientes evacuam uma vez ao dia, sendo que certos pacientes chegam a evacuar a cada 3 dias e outros até 2 vezes no mesmo dia. A freqüência é menos importante que o padrão que apresentam dentro do espaço de uma semana.
Idas ao banheiro para urinar costumam apresentar uma freqüência de 2 a 3 horas de intervalo.
Determinados horários são obrigatórios para incentivar ou conduzir o paciente para as suas necessidades; ao levantar pela manhã e à noite antes de deitar.
Pela manhã e após as refeições, em função do reflexo gastro-íleo-cólico, são os horários preferenciais para evacuação.
A princípio pode haver alguma dificuldade para que os horários sejam cumpridos até que se torne rotina.
Os hábitos de evacuação e micção rapidamente se adaptam a rotina pré-estabelecida e tornam-se uma vitória para o cuidador melhorando em muito a convivência e minimizando a sobrecarga de trabalho. Essa rotina é realmente positiva e deve ser adotada.
Além dos problemas do cotidiano é sempre difícil ao cuidador deixar o que estava fazendo para auxiliar o paciente em suas necessidades fisiológicas, normalmente em horários inesperados e geralmente nos momentos mais atribulados. Além de conforto proporcionado ao cuidador, essa rotina também tranqüiliza o paciente que termina por adaptar seus hábitos ao cotidiano.
Um outro recurso de grande utilidade é a regularização do funcionamento intestinal por intermédio de dietas.
Um profissional especializado em nutrição, em conjunto com o médico, pode auxiliar na confecção de um cardápio apropriado.
A restrição monitorada de líquidos a partir de um determinado horário pode evitar ou minimizar as micções noturnas prevenindo acidentes de incontinência.
Alguns pacientes com dificuldade de expressão costumam indicar por gestos e atitudes suas necessidades. Alguns tentam abaixar as calças, outros emitem sons e gritos ou ficam agitados. Aprender a decifrar esses códigos auxilia e facilita a tarefa.
Alguns pacientes, mesmo dentro do banheiro e já tendo sido auxiliados com relação a suas roupas para realizarem as suas necessidades, não entendem o que devem fazer, devendo então ser instruídos verbalmente.
É importante também que se anotem nos registros as alterações de freqüência, coloração de fezes e urina, presença de sangue, pus ou parasitas, dor à micção ou evacuações e outros fatos anormais para serem comunicados ao médico.