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Todo médico deveria ser um otimista; o geriatra, porém, deve ser obrigatoriamente um otimista obstinado.

Ser geriatra é, antes de tudo, ter uma atitude ativa e positiva no enfrentamento de grandes déficits sejam eles cognitivos ou funcionais.

Costumamos dizer que “o pouco é muito”, pois este “pouco” poderá evitar, por exemplo, que um paciente com algum distúrbio de conduta ou limitação funcional seja internado para sempre num asilo.

A manutenção da autonomia e independência devem ser os objetivos a serem perseguidos sempre e buscados de maneira incansável.

A experiência demonstra que muitas vezes os familiares acabam por internar pacientes em asilos, não porque querem e sim pela total impossibilidade de assisti-los convenientemente em suas casas.

A reabilitação, portanto, pautada no bom senso e dentro das limitações impostas pelo caso, deve ser obrigatoriamente incluída na filosofia da convivência diária.

O objetivo principal da reabilitação é o de restaurar ou maximizar funções perdidas ou diminuídas. É importante entendermos que a reabilitação não encerra um fim em si mesma; é, na realidade, a primeira etapa que visa reduzir a carga gerada à sociedade pelas pessoas deficientes física e mentalmente e todos os indivíduos devem receber esta abordagem, no sentido de promover um nível máximo de independência e bem estar.

A grande questão é: por que reabilitar se o curso da doença é inexorável?

Sabemos que a doença de Alzheimer pode acometer indivíduos com boa saúde física e as estatísticas têm indicado sobrevidas de até 20 anos de duração. Há muito pouco tempo estimava-se que em média estes pacientes faleciam nos 5 ou 8 primeiros anos, porém isto está mudando, com certeza em função de uma atitude menos passiva frente as intercorrências clínicas e sua prevenção e também quanto aos cuidados específicos dirigidos ao paciente.

Este dado nos remete a algumas reflexões: se estamos frente a um doente que pode viver em condições de saúde relativamente boas do ponto de vista físico e, se sabemos que a evolução da doença é lenta, porém, inexorável, terminando por levar o indivíduo ao estado terminal, acamado com vida apenas vegetativa, porque não tentarmos desacelerar ou mesmo retardar o aparecimento destas complicações que afetam de forma dramática a qualidade de vida desses indivíduos?

A experiência tem demonstrado que, se bem cuidados, pacientes que recebem abordagem e enfoque terapêuticos baseados na filosofia da reabilitação possível, não só apresentam melhores condições de vida e de convívio, como também raramente são institucionalizados precocemente e acima de tudo apresentam, em grande parte dos casos, melhoria substancial de suas funções cognitivas e/ou funcionais.

É importante que o paciente não seja discriminado em termos de reabilitação. É fato recente e muito conhecido que pacientes demenciados não têm recebido a mesma atenção em termos de reabilitação quando comparados com AVC e doenças cardíacas.

Reabilitar um paciente demenciado é uma tarefa árdua e a avaliação dos progressos conseguidos é  difícil de ser quantificada, mas os resultados nos animam a continuar perseguindo este ideal.

Essa assertiva pode ser ilustrada pela história de uma pessoa que pergunta a um desconhecido onde fica um determinado local: continue por essa estrada e você encontrará o local que deseja. E a que distância fica? Pergunta. O estranho diz: para que você quer saber a distância? Continue caminhando e você chegará lá.

Nós estamos na estrada certa, todavia também não sabemos quando chegaremos lá.


 

Se definirmos, então, que dentro do nosso planejamento utilizaremos a eficiente arma da reabilitação, o próximo passo será indagarmos que tipo de reabilitação?


Existem, basicamente, para estes pacientes, quatro tipos principais:

a) terapia da orientação para a realidade, que privilegia os aspectos cognitivos e intelectuais, memória etc.

b)  terapêutica física, que se preocupa com a parte motora

c) terapia ocupacional , que maximiza o desempenho para as atividades da vida diária 

d)  terapia ambiental.

TERAPIA DA ORIENTAÇÃO PARA A REALIDADE

Consiste em um conjunto de técnicas que visa combater a desorientação e os distúrbios da memória. Normalmente realizada em grupos, com o auxílio de material audiovisual, reforçando aspectos como datas, hora, nomes, fatos etc.

A integração entre os elementos do grupo é fundamental, assim como o uso de técnicas de estimulação sensorial. As reuniões são periódicas, em grupos de 10 pacientes, com duração de 40 minutos; o clima é dinâmico com participação ativa de seus membros que são questionados sobre seus nomes, nomes dos familiares, datas e fatos relevantes etc.

FISIOTERAPIA
   
É uma profissão de nível superior e o curso de graduação dura 4 anos.

O fisioterapeuta atua basicamente em duas grandes áreas com referência à saúde: a prevenção e a reabilitação.

Pacientes com demência são muitas vezes e por variados motivos levados a ter sua mobilidade prejudicada, portanto a fisioterapia tem seu espaço na abordagem terapêutica de forma inquestionável.

A prevenção de contraturas articulares, mobilização das secreções pulmonares, encurtamentos musculares, manutenção da massa muscular na prevenção das atrofias, trabalho visando melhor equilíbrio e marcha são alguns dos problemas tratáveis fundamentalmente pelo fisioterapeuta.

Salvo em situações particulares e patológicas específicas, o fisioterapeuta geralmente atua junto ao paciente utilizando recursos pouco sofisticados, propiciando maior facilidade para que este importante instrumento terapêutico possa, na grande maioria dos casos, ser realizado em âmbito domiciliar.

TERAPIA OCUPACIONAL

A terapia ocupacional é uma profissão de nível superior e o curso de graduação tem a duração de 4 anos.

A principal característica da terapia ocupacional é a de descobrir possibilidades de ajudar o paciente a viver melhor com suas próprias limitações.

Mesmo os pacientes demenciados podem beneficiar-se enormemente dessa abordagem de se tentar recuperar o máximo possível as funções perdidas ou substituí-las por outras atividades igualmente gratificantes, melhorando a auto-estima, tornando-se o mais integrado à sociedade e independente possível.

As atividades desenvolvidas pelo terapeuta ocupacional normalmente incluem: atividades culturais como leitura e artesanais como pintura, trabalhos com argila e desenho.

FONOAUDIOLOGIA

 

Fonoaudilogia é a ciência da saúde que se dedica a pesquisas, prevenção, avaliação, diagnóstico, orientação e terapia (habilitação e reabilitação), aperfeiçoamento dos aspectos envolvidos na comunicação humana e apoio aos pacientes, familiares e cuidadores.

 

O tratamento abrange uma série de técnicas e procedimentos específicos de grande abrangência.

 

As terapias são aplicadas em consultórios, clínicas especializadas e na residência dos pacientes.

 

O profissional de nível universitário cursa 4 anos e é habilitado para atender pacientes, por exemplo, portadores de seqüela de AVC ( derrames) que tiveram sua fala comprometida (afasia).

 

Atuam também em casos relacionados com o uso e retirada de sondas enterais,em pacientes que adquiriram infecções pulmonares por aspiração etc.

  

Problemas com a audição são muito comuns na população geriátrica e o profissional colabora decisivamente no bom encaminhamento terapêutico, diagnosticando e propondo soluções tecnológicas como nos caso de aparelhos auditivos.

 

 Outra área onde seus conhecimentos são extremamente úteis é no diagnóstico, controle e tratamento das disfagias (dificuldades de deglutição).

Normalmente os tratamentos são de longa duração e demandam grande dose de paciência e perseverança para atingirem os objetivos propostos.

 

Trata-se de um recurso de valor inestimávem em várias áreas e em especial para pacientes idosos.

 TERAPIA AMBIENTAL

Após o diagnóstico da doença de Alzheimer ter sido estabelecido, é comum o aparecimento da “Síndrome do Túmulo”, “Tombstone Syndrome”, quando a família passa a tratar o paciente como se fosse uma pessoa que acabou de falecer, um morto vivo, um corpo apenas que necessita de higiene e alimentação, um corpo sem alma, enfim.

Esse conceito é  equivocado, totalmente negativo, inadequado e desumano, e acaba por afetar não apenas o paciente, de forma contraproducente, como também toda a estrutura familiar.

Existem maneiras de manter o paciente dentro do seu ambiente, com um mínimo de ocupação e algumas vezes exercendo atividades úteis nos afazeres domésticos e com efetiva participação da vida em sociedade, à qual não deixou de pertencer.

Evidentemente que limitações quanto ao convívio social são esperadas e ocorrerão, porém está comprovado que um enfoque positivo quanto à integração do paciente em seu meio social, a manutenção de atividade física e intelectual, além de outros recursos, retardam significativamente o curso da doença, aumentando o período das fases e mantendo o indivíduo melhor por mais tempo, sob todos os aspectos.

O uso do bom-senso novamente vem à tona quando entendemos que certas atividades que eram prazerosas para o indivíduo quando sadio, podem ainda ser agradáveis. À medida que a doença evolui e as limitações se instalam de modo irreversível, o desempenho declina, mas de forma gradual e lenta.

Pessoas que sempre gostaram de falar ao telefone com amigos não devem ser privadas deste prazer. Se visitavam amigos e parentes com freqüência não devem ser impedidas de fazê-lo.

Se bem que a doença de Alzheimer altere a atividade intelectual, o instinto estará preservado e deve ser valorizado. Pessoas são diferentes, no entanto não costumam modificar os seus interesses especialmente na fase inicial. Quem sempre escreveu cartas deve ser estimulado a continuar escrevendo, quem cuidava do jardim também e assim por diante como, tocar instrumentos musicais, colecionar algo, jogos de salão, leitura etc.

A experiência tem demonstrado que quando vai-se planificar as atividades para pacientes demenciados, deve-se levar em conta os hábitos anteriores e centrar o perfil dessas atividades em hábitos passados e agradáveis.

Não se deve tentar introduzir atividades desconhecidas ou pouco habituais ao paciente, sob o risco de se criar uma imagem negativa das atividades a desenvolver. Pacientes demenciados rejeitam fatos novos e não se adaptam facilmente a novas condições. Forçar atividades desconhecidas é inadequado e pode-se prever a instalação de quadros de irritabilidade e agitação.

Devemos entender que, se há dificuldades para aprender e se adaptar a fatos e condições desconhecidas, o melhor e mais racional caminho é estimular o que lhes é natural e já inserido no cotidiano.

É necessário também que se faça uma avaliação das habilidades perdidas e das que permanecem para que não se coloquem projetos de difícil execução, que poderão gerar sentimento de frustração e até mesmo desencadear episódios de agitação e confusão mental. Muitos pacientes sabem que estão limitados e não gostam que isso lhes seja mostrado ou – pior ainda  - que sejam desafiados, o que é perfeitamente compreensível.

As atividades devem conter algum sentindo e objetivo. As atividades vazias são pouco gratificantes e colaboram na temida e comum infantilização. O melhor caminho e que gera resultados mais positivos, se ainda houver possibilidade, é permitir que o paciente manifeste de alguma forma que atividade prefere.

Alguns cuidadores preparam atividades que lhes são agradáveis se esquecendo de que o alvo da atividade é o paciente que nunca deve ser forçado ou pressionado a desenvolver uma tarefa que aparentemente o desinteresse ou o desagrade. Várias estratégias podem ser usadas para facilitar a  aderência do paciente.

Por exemplo, uma atividade proposta ao meio-dia que recebeu forte resistência ou negativa explícita, pode ser bem aceita às 4 horas da tarde. Pacientes esquecem fatos recentes, mudam de idéia e de humor em poucas horas.

Todos os pacientes, independente da fase da doença merecem essa abordagem social.

Quanto mais severa a deterioração mental, mais simples devem ser os jogos e outras ocupações, mas sempre haverá alguma maneira de serem estimulados.

É interessante notar como este conceito, simples e claro é negligenciado especialmente nas instituições.

Normalmente verifica-se um perverso paradoxo onde todas ou a grande maioria das atividades são reservadas aos menos dependentes, muitas vezes representando a minoria dos assistidos.

Quem já recebeu algum sorriso ou qualquer tipo de demonstração vinda de pacientes comprometidos após ou durante alguma atividade, entende a profundidade dessa colocação. É, portanto, imperioso não excluir os pacientes dependentes quando planejamos tratá-los.

VISITAS

Algumas atividades sociais são simples e proveitosas. Receber amigos e parentes é uma delas. As providências a serem adotadas no sentido de promover o sucesso desta atividade são relativamente simples e abrangem: a escolha de um local adequado, como uma sala de visitas com algumas cadeiras e que se evite a presença de muitas pessoas ao mesmo tempo. Ao primeiro sinal de contrariedade, os visitantes devem ser alertados e a visita terminará. Determinados pacientes em fase inicial poderão ficar gratos e aliviados se os visitantes forem alertados que a visita deve terminar, pois “ é a hora que ela (e) gosta de descansar um pouco”, dando consistência e realidade ao fato.

Os visitantes devem estar bem conscientes do que se está passando para que norteiem uma conversa com assuntos agradáveis. Determinadas pessoas gostam de falar coisas tristes, doenças e mortes. Dependendo da receptividade do paciente, essas visitas não devem ser descartadas, sob a nossa óptica, o comportamento do paciente é que demonstrará se essas visitas devem ou não ser evitadas.

Os visitantes também devem ser alertados sobre como devem presentear o paciente, que dêem preferência a objetos que reavivem os órgãos do sentido e a memória. Flores, alimentos, discos e fotos são alguns exemplos positivos.

Essa atividade abriga um risco que deve ser avaliado. As pessoas não costumam gostar de visitar doentes, pois têm dificuldades em enfrentar o seu próprio envelhecimento, temendo ao cabo de algum tempo estarem na posição do paciente. Este fato pode acarretar um rareamento progressivo das visitas o que pode acabar por levar o paciente a estados depressivos.

Esse fato nos remete a reflexões profundas frente ao cuidado que se deve ter ao tratar-se com o comportamento humano e seus sentimentos.

Certas pessoas são levadas a tomar determinadas atitudes em suas vidas, e a preencher suas necessidades emocionais prejudicando seriamente outros, em geral inadvertidamente.

Uma forma de contornar estas ocorrências é estarmos atentos e, se possível utilizar os centros de convivência para pacientes acometidos de doença de Alzheimer, infelizmente  poucos disponíveis entre nós.

O convívio com pacientes portadores de limitações semelhantes é tranqüilizador e minimiza um compreensível sentimento de receio de estarem sendo objeto de observação crítica e conseqüentemente passível de serem julgados.

Fazer visitas a familiares e amigos também pode ser estimulantemente positivo. O bom-senso em alertar as pessoas sobre o que está ocorrendo e o término da visita ao primeiro sinal de contrariedade ou irritação é uma  atitude acertada. As visitas devem ser breves.

LUGARES PÚBLICOS

Fora visitas, existe um sem-número de outras possibilidades. Museus, igrejas, praças, parques, lojas são opções que podem ser utilizadas, sem grandes preparativos ou preocupações, ricos em estímulos novos com grandes benefícios para a conservação de identidade social do indivíduo, que desta forma não sentirá preterido ou apartado da sociedade.

Outros lugares públicos também podem ser usados na recreação e lazer, mas necessitam de alguns preparativos. A seleção desses locais como cinemas, restaurantes, teatros, concertos etc. deve ser feita com bom-senso e análise crítica.

Um paciente que nunca gostou de ópera ou de ir a restaurantes, com certeza não modificou suas tendências e provavelmente não se sentirá feliz indo a esses locais.

Pacientes vagantes e agitados poderão transformar um concerto musical em um episódio inesquecível para o seu acompanhante.

Atividades que não impõem a permanência do espectador até o final, como cinema, podem tornar-se boa opção e uma válida tentativa na ampliação das atividades sociais.

A ida a restaurantes deve ser precedida de algumas precauções, como: alertar o garçom ou gerente sobre as condições do paciente, reservar uma mesa discreta e em local calmo e dar preferência aos dias e horários de menor movimento.

São medidas simples que, adotadas, minimizarão eventuais contrariedades e servirão para avaliar se essas precauções são realmente necessárias, reciclando-as à medida que se pode antever o comportamento do doente frente a esse tipo de ambiente.

Os incontinentes devem ser preparados com fraldas ou outros recursos, porém de maneira discreta e dissimulada. O cuidado em fazer com que o paciente urine antes de sair de casa e, dependendo do caso, logo ao chegar ao restaurante são atitudes práticas, simples e altamente eficazes.

Os parques são especialmente agradáveis mesmo para pacientes seriamente debilitados.

Certos pacientes sempre gostaram e tiveram contato com a natureza e para estes o contato com plantas e flores pode ser altamente relaxante e prazeroso.

As festas e comemorações contribuem para o estreitamento dos laços familiares. Nunca se deve excluir o paciente destas atividades. Saber que pertencemos a algum grupo e somos queridos é terapêutico e positivo. Sempre que for possível, deve-se incluir o paciente em festas e comemorações. Nos almoços familiares festivos, reservar para o paciente o lugar de honra da mesa, pode equivaler a um momento de rara felicidade.

Aulas e preleções a respeito de disciplina e moralidade são totalmente inadequadas e sem sentido.

A integração social do paciente é um eficaz instrumento na melhoria de qualidade de vida e não deve ser colocado como secundário e muito menos negligenciado.

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MÚSICA

Pacientes que sempre gostaram de música continuarão gostando, mesmo doentes.

A música tem sido utilizada com sucesso, como recurso terapêutico, em pacientes confusos e agitados e com distúrbios do sono. 

Tem ótimo efeito relaxante.

Os pacientes apreciam especialmente as músicas do seu tempo.

TELEVISÃO

A exemplo da música, assistir à TV costuma ter efeito sedativo, levando muitos pacientes a dormir.

Apesar de incentivar negativamente, o sedentarismo e a imobilidade podem distrair o paciente em alguns períodos do dia. Deixar o paciente o dia inteiro frente à uma televisão ligada pode até diminuir a ansiedade do cuidador, que dessa forma imagina que está proporcionando ao paciente alguma atividade o que é um erro, para se dizer o mínimo.

Filmes antigos podem colaborar estimulando recordações.

EXERCÍCIO FÍSICO

O exercício físico é uma atividade salutar a todos os indivíduos, porém é uma atividade especialmente indicada para os pacientes com demência.

É interessante notar como os pacientes, de modo geral, apreciam os exercícios físicos.

Os benefícios dessa atividade não se restringem aos aspectos físicos, pois melhoram em muito o estado de espírito do paciente e também do cuidador.

Os exercícios devem ser realizados diariamente em períodos de cerca de 15 minutos e se possível duas vezes ao dia, de manhã e a noite.

Uma atividade física bem orientada tendo em vista as limitações de cada paciente, colabora com uma boa flexibilidade articular, melhorando a circulação e o funcionamento intestinal e consome o excesso de energia, combustível responsável muitas vezes por crises de agitação e agressividade.

O tipo de exercício a ser realizado dependerá das limitações físicas do indivíduo, devendo ser de fácil realização e de curta duração, tendo-se em vista a dificuldade que os pacientes têm de manterem uma atividade por longos períodos de tempo.

Sem contar os exercícios clássicos que abrangem os grandes grupos musculares e articulações, existem outras formas de atividade física igualmente salutares, como danças e caminhadas, que deverão ser utilizadas se bem aceitos pelos pacientes.

Existem excelentes exercícios que de uma maneira geral podem ser realizados por todos os pacientes, mesmo aqueles cuja locomoção está prejudicada.

Se o paciente não consegue ou não entende como realizar os movimentos, a mímica é uma boa estratégia. Pacientes demenciados gostam de imitar (ecopraxia) e esse recurso deve ser explorado.

Muitas vezes necessitam que os primeiros movimentos sejam feitos para que, logo após, passem a realizá-los com independência.

Todos os exercícios devem ser feitos apenas se forem confortáveis e uma  orientação especializada é sempre recomendável.

  Algumas sugestões de exercícios físicos:

- Curvar-se, confortavelmente, tentando atingir a ponta dos pés. (2 vezes)
- Tentar tocar o pé esquerdo com a mão direita e vice-versa (4 vezes)
- Estender os braços para cima o mais possível e abaixá-los abertos (3 vezes)
- Rodar lentamente a cabeça para os lados (4 vezes)
- Rodar lentamente a cabeça de modo circular (3 vezes)
- Rodar os braços (4 a 6 vezes)
- Rodar os punhos (4 a 6 vezes)
- Abaixar e levantar (3 a 5 vezes)
- Sentado, levantar os joelhos (5 a 10 vezes)
- Sentado, levantar-se e sentar novamente (5 a 10 vezes)
- Sentado, rodar os pés, para dentro e para fora (5 a 10 vezes)

Pacientes acamados ou restritos à cadeira de rodas devem ter os exercícios adaptados às suas limitações.

Se acamados, deitados de costas podem elevar os membros inferiores alternadamente, flexionar os joelhos etc.

É necessário que se faça aqui algumas considerações adicionais com respeito ao exercício físico:

- Utilize a mímica como instrumento de grande valia.
- Se o cuidador estiver dentro do campo visual e fizer um movimento, desde que estimulados verbalmente, há grande possibilidade de imitarem o cuidador.
- Tente orientar os exercícios para que sejam simples porém realizados de modo correto, abrangendo preferencialmente as grandes articulações.
- Supervisione o paciente num raio próximo de ação, para eventualmente socorrê-lo. Isto se aplica especialmente aos pacientes com problemas de visão e equilíbrio.
- Com pacientes seriamente confusos, é necessário que se adote uma atitude ativa, conduzindo os exercícios com ajuda manual.
- A incorporação dos exercícios na rotina diária, aproveitando de modo criativo alguns momentos do cotidiano, também colaboram. Se estiverem sentados, assistindo TV, encoraje-os para que façam movimentos com as mãos, punhos, braços e pernas. Se algum objeto caiu, peça que peguem, peça que tragam objetos, permita que auxiliem nas atividades diárias, tirando o pó dos móveis etc.
- Nunca ultrapasse os limites do bom-senso, em termos de atividade física.
- A orientação e o planejamento da atividade física deve ser feita por profissional especializado.

Estudos demonstram que andar por 30 minutos diariamente, apresenta resultados positivos, melhorando a cognição e a comunicação, quando comparados com o grupo-controle. As atividades aeróbicas devem, portanto, sempre que possível, integrar o rol de atividades de uma abordagem terapêutica bem planejada.

Oberve sempre uma dieta adequada em termos de calorias.

A hidratação deve ser objeto de atenção constante e o registro da ingesta de líquidos é altamente recomendada. 

ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

Apesar do declínio das funções cognitivas, pacientes que gostavam da companhia de animais continuarão gostando.

A presença de um cachorro ou gato ou de outros animais domésticos parece trazer ao paciente uma sensação de estarem sempre acompanhados.

Desde que sejam animais sadios e vacinados e havendo alguém que se encarregue de alimentá-los, não há qualquer limitação para que sejam mantidos.

PLANTAS

Da mesma forma que para animais de estimação, quem se dedicava à jardinagem continuará a gostar de manter o contato com plantas.

Essa atividade deve ser estimulada, pois confere grande estímulo sensorial com o ver, tocar e cheirar e estar em contato com a terra, com elementos naturais. A preparação de vasos e arranjos é uma ótima ocupação.

Plantas tóxicas e venenosas passíveis de serem ingeridas devem ser retiradas. 

CRIANÇAS

Talvez, porque as crianças não pré-julguem comportamentos, pacientes demenciados e crianças costumam relacionar-se muito bem.

Existem depoimentos de cuidadores que é muito mais fácil o paciente aceitar um comprimido oferecido por uma criança do que por eles.

Atividades em conjunto, colorindo, colando, desenhando, cantando etc., costumam desenvolver-se com grande facilidade além de serem extremamente agradáveis.

As visitas de netos e crianças em geral devem ser estimuladas ao máximo.

BRINQUEDOS

O uso ou não de brinquedos é uma polêmica.

Evidentemente, na fase inicial, o paciente pode sentir-se ridicularizado, porém, à medida que o grau de demência se acentua, muitos pacientes parecem sentir-se extremamente satisfeitos com uma boneca, um carrinho, um animal de pelúcia etc.

É difícil ditar regras, pois elas não existem. Cada caso é um caso em particular e só o bom-senso do cuidador e o método de tentativa-e-erro poderá indicar o caminho mais correto a ser seguido.

De nossa parte acreditamos que o uso desse recurso deve ser utilizado de maneira limitada, desde que seja possível substituir os brinquedos por outras ocupações igualmente agradáveis.

Uma série de outras atividades recreativas pode ser utilizada. 

Pintura em cerâmica, colagem, recorte de figuras com tesouras apropriadas etc.

O estímulo para que participem das atividades diárias na arrumação da casa e o auxílio da preparação das refeições é altamente produtiva.

RECORDAÇÕES/REMINISCÊNCIAS

Se bem que a memória recente esteja comprometida já nos estágios iniciais, a memória antiga pode apresentar-se relativamente conservada por muito tempo.

Esse fato é bastante conhecido, pois pacientes que não conseguem se lembrar do que almoçaram, lembram com facilidade o nome da primeira professora, nomes de amigos de infância etc.

Verificada então essa possibilidade, o cuidador deve tirar o máximo proveito estimulando recordações.

Existem trabalhos médicos que defendem o uso desse tipo de atividade não apenas como técnica de comunicação interpessoal ou simples entretenimento e sim pelo efeito calmante e sedativo que apresentam.

Foi o médico Robert Butler quem desenvolveu essa técnica no início da década de 60 e a denominou “life review”, revisão da vida, encorajando as pessoas a falarem sobre seu passado mesmo remoto, infância, juventude etc. Essa técnica permite que o indivíduo saiba quem é, onde vive, que amigos teve, onde estudou, reforçando o senso de identidade, sendo assim uma inestimável colaboração na melhoria do desempenho intelectual.

Outra facilidade que essa técnica possui é a de poder ser aplicada a qualquer momento, dependendo apenas de conversar com o paciente.

A técnica é bastante simples e consiste em perguntas e respostas sobre o passado. Álbuns de fotografias de família, jornais e revistas da época são materiais relativamente simples de serem conseguidos e os resultados costumam ser altamente positivos.

Por menos que se acredite que o paciente venha realmente a colaborar, deve-se tentar.

Quem convive com pacientes demenciados nunca deve pré-julgar um comportamento, pois costumam reagir a determinados estímulos, de forma absolutamente surpreendente.

Algumas regras gerais auxiliam na aplicação desta técnica.

1. Utilizar frases que mereçam mais do que um simples sim ou não.
Se perguntar: “Como os seus pais o educaram?” com certeza existe a possibilidade de uma maior descrição de fatos, eventos e conceitos do que se  questionar “seu pai era rígido?”

2. É bom que se mantenham algumas frases de incentivo prontas para serem utilizadas ao primeiro sinal de que o paciente está se distraindo ou desviando o assunto do tipo: “você estava dizendo que seu pai...” “você deve ter ficado feliz quando...”

3. Falar de sucessos conseguidos também costuma colaborar. 
Frases como “Como você conseguiu formar todos os filhos com tão pouco dinheiro?”, “Como vocês conseguiram transformar aquele pequeno empreendimento em um negócio tão lucrativo?” e outras variantes adaptadas a cada caso.


PASSATEMPOS/HOBBIES

Ao contrário do que se costuma imaginar, pacientes nos estágios iniciais são capazes de manter um variado número de atividades recreativas.

Determinados passatempos/hobbies dependem da coordenação motora e habilidade manual que podem ainda estar preservadas nessa fase.

Costura, tricô, pintura em cerâmica e de miniaturas são bons exemplos de ocupação que, desde que tenham sido treinados no passado, limitados dentro do bom-senso, podem e devem continuar a fazer parte do cotidiano.

É bem verdade que a performance estará limitada, porém o que mais interessa é a atividade em si e não o resultado. É verdade também que à medida que a doença evolui, as tarefas se tornam cada vez mais difíceis e os instrumentos de trabalho, agulhas de tricô, tesouras, chaves de fenda etc. passam a apresentar riscos previsíveis.

Uma avaliação regular das habilidades, estrita supervisão e uma boa dose de bom-senso, costuma demonstrar quando e como essa atividade deve ser repensada.

A simplificação da atividade é uma medida que ao mesmo tempo preserva a atividade e minora os riscos.

Se o paciente costumava montar carros ou aviões (aeromodelismo) ou pequenos barcos, poderá satisfazer-se em trabalhar com alguns pedaços de madeira, papelão e cola.

Se cozinhavam bem, fazendo pratos complicados, teram satisfação em continuar a trabalhar em receitas extremamente simples: preparando suco de frutas por exemplo.

Pessoas que tocavam instrumentos se distraem ouvindo música tocadas pelo instrumento, enquanto manuseiam o seu violão, acordeon etc.

Se pintavam e as tintas agora apresentam riscos de manchas e toxidade, podem ser substituídas por material atóxico e lavável.Lápis e lapiseiras pontiagudas podem ser substituídos por lápis de cera e assim por diante.

JOGOS

Os jogos também seguem a mesma linha de pensamento.

É interessante notar que alguns pacientes continuam a reter as regras básicas de determinados jogos, damas, dominó, xadrez; mesmo diante das limitações características da doença de Alzheimer.

Essas são atividades que mantém o indivíduo ocupado e entretido, devendo ser incentivadas.

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