Alois Alzheimer

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Problemas médicos (Parte 1)

Além da própria doença de base, o paciente portador da doença de Alzheimer apresenta algumas características clínicas peculiares. A rigor, primeiramente, devemos entender que o paciente pode apresentar todas as doenças que normalmente acometem preferencialmente sua faixa etária, mas é importante considerar a dificuldade dele em comunicar os sinais clássicos de alerta, como dor, náuseas, ardência ao urinar, desconforto respiratório, palpitações, tonturas etc.
O exame físico também poderá estar muitas vezes prejudicado em virtude da falta de colaboração do paciente no desenvolvimento de algumas manobras semiológicas necessitando por parte do médico prática e sensibilidade na detecção de alterações.

Além disso, o portador da doença de Alzheimer apresenta algumas alterações e complicações com maior freqüência e são sobre elas que nos deteremos nesta seção.
Os sinais de alerta podem ser de grande ajuda ao cuidador na suspeita de que algo errado possa estar ocorrendo. Esses sinais de alerta são verdadeiros códigos, muitas vezes apresentando-se de maneira diversa de doente para doente. O estreito relacionamento entre o paciente e o cuidador gera um verdadeiro diálogo entre eles, e, assim, de acordo com alguns dados indiretos, pode-se detectar precocemente esses sinais, chamados de sinais de alerta.

Situações de emergência

Uma das palavras-chave para um convívio harmonioso com o paciente é planejamento. É possível prever e antecipar a ocorrência de algumas situações. Ao pensar na possibilidade do acidente, é possível traçar estratégias para, da melhor maneira possível, contornar a situação. Por exemplo:  se um paciente é vagante e invariavelmente tenta abrir a porta, pode-se antecipar que ele é um sério candidato à evasão e consequentemente pode se perder e sofrer um acidente de trânsito. Por sua vez, pacientes limitados ao leito em função de doenças crônicas e invalidantes, porém fumantes, são sérios candidatos a deflagrar um incêndio.
As perguntas a serem feitas são:

 

De modo geral, algumas medidas ou providências servem para todos os casos, como manter-se calmo e descansado.
Fácil de dizer e difícil de fazer. Todavia, esse conselho contém uma advertência maior. Está comprovado que os acidentes e as situações de emergência ocorrem, com muito mais frequência, quando quem cuida está apressado, tenso e cansado. Algumas providências aqui propostas podem contribuir para o bem-estar do cuidador e minimizar o impacto dessas complicações.
Os membros da família e as pessoas que convivem no mesmo am-biente devem ser avisados da possibilidade de piora do quadro demencial do paciente, com confusão, irritabilidade e mesmo forte agressividade quando presenciam, sem entender, brigas e discussões entre pessoas.Ambientes tensos favorecem a ocorrência de acidentes.
É fundamental ter em mãos telefones úteis, como o do corpo de bombeiros, de parentes e amigos, do médico e outros que o cuidador julgar importantes.
Alguns aparelhos de telefone possuem memória interna e com apenas um toque as ligações são acionadas. Esses aparelhos representam um bom recurso, pois, quando há uma situação de pânico, a coordenação entre lembrar, encontrar o número e fazer a ligação corretamente pode se tornar uma tarefa difícil e comprometer a rapidez na solicitação de socorro.
Medidas complementares como identificação do paciente, checagem sistemática de informações obtidas e reavaliação constante do grau de autonomia e dependência são de grande valia. O cuidador deve reavaliar sempre o ambiente, checando se existem possibilidades de acidentes, acesso ao registro de gás etc.
Não se deve nunca acreditar naquilo que o paciente diz, sem confirmar a informação. Se ele disser “Comi bem, fechei a torneira, apaguei o cigarro”, é fundamental confirmar.

Engasgamento

Outro aspecto importante com respeito a situações de emergência é a de reconhecer quando se está realmente diante de uma verdadeira emergência.
Um incêndio é uma emergência, e todos sabem disso, mas algumas situações aparentemente emergenciais podem ser resolvidas com calma e boa informação.
A diferença entre essas condições é difícil, especialmente porque em geral o cuidador não foi preparado e treinado para ter esse discernimento, especialmente nas questões ligadas à saúde. Os sinais de alerta dão uma segura diretriz a respeito desse assunto, porém algumas situações de real emergência devem ser identificadas e contornadas imediatamente, sob pena de resultarem em gravíssimas consequências, até a ocorrência de óbito.
Uma dessas emergências é o engasgamento. Se um paciente engasga e apresenta comprometimento de sua respiração, deve-se agir imediatamente; não haverá tempo para pedir socorro. O engasgamento é ocorrência relativamente comum nos pacientes, uma vez que é relacionado ao ato de deglutir, que pode estar comprometido por causa da diminuição da coordenação dos movimentos envolvidos.
A primeira providência contra o engasgamento é a prevenção. Não se devem oferecer ao paciente alimentos ou guloseimas que sejam difíceis de serem deglutidos. Balas duras, nozes, avelãs, amendoim, chicletes e mesmo certas drogas são perigosos. Evitar alimentos sólidos, secos e em grandes pedaços. Os alimentos picados, tenros, pastosos ou semi-sólidos são os mais indicados.
Outra providência é não alimentar o paciente em posição deitada, em estado de sonolência ou agitação, condições que favorecem a aspiração.
Os alimentos muito liquidificados e os líquidos à primeira vista podem parecer ser de fácil deglutição, mas não são e favorecem os episódios de aspiração. Os alimentos semi-sólidos e pastosos são mais fáceis de deglutir, pois passam por um processo anterior de preparo da musculatura envolvida, pela mastigação.
Se o paciente engasgou, mas respira sem dificuldade e tosse para eliminar a substância de sua árvore respiratória, não há nada a ser feito. O mais importante nesse caso é manter a calma e assisti-lo até que o episódio esteja superado. Uma caminhada ao ar livre após o episódio é sempre uma medida recomendável, pois acalmará tanto o paciente como o cuidador.
Se o paciente engasga e não pode tossir ou respirar, estamos diante de uma real emergência.
A primeira medida é a tentativa de remoção manual do agente causal, que pode ser alimentos ou mesmo próteses dentárias. A possibilidade de o cuidador ser mordido existe, porém instintivamente o paciente costuma colaborar nessa manobra.
Tapas nas costas não costumam ser eficientes quando o engasgamento é realmente sério. Um procedimento conhecido e de fácil execução é a manobra de Heimlich: o cuidador se posiciona atrás do paciente, abraça-o com as mãos na região imediatamente abaixo das costelas, na região do estômago, e faz uma compressão profunda e rápida, com o objetivo de expulsar o agente obstrutivo. É fundamental que o cuidador seja treinado para realizar essa manobra para estar preparado para efetuá-la quando for necessário.

 

Como se comportar diante de acidentes e outras situações

Se o paciente se perder, é fundamental manter a calma, procurá-lo no bairro e perguntar aos vizinhos. Se mesmo assim o paciente não for encontrado, o cuidador deve dirigir-se à delegacia do bairro para comunicar o desaparecimento, pois assim os mecanismos necessários para encontrá-lo serão acionados. É importante ter uma foto do paciente para pedir informação e solicitar auxílio de forma objetiva. Após esses procedimentos, reavaliar todos os acontecimentos anteriores ao desaparecimento:

 

Depois de encontrado, paciente e cuidador devem fazer um passeio com um  itinerário definido, mostrando ao paciente algum ponto de referência será salutar e muitas vezes de efeito extremamente didático e calmante. Além de criar um determinado hábito, o itinerário percorrido poderá ser o caminho instintivamente escolhido por ele, na ocorrência de outro acidente.

Sintomas e sinais de alerta

Sinais & Sintomas de Alerta

Torna-se evidente para o cuidador, ante a multiplicidade de sinais,
a necessidade de poder contar com uma orientação segura em seu dia a dia. O médico que assiste o paciente deve possuir algumas características, como facilidade de ser encontrado e disposição em fornecer uma orientação segura à distância.
 Os sinais de alerta podem ser de grande ajuda na suspeita de que algo errado possa estar ocorrendo.
Serão apresentados a seguir os principais sinais de alerta, especialmente úteis para informar cuidadores de pacientes frágeis e demenciados

Não se deve esquecer de que os sinais de alerta podem ser ocorrências benignas, sem maior gravidade ou uma indicação de intercorrências que necessitam de imediata intervenção. Só o médico poderá fazer essa importante distinção com segurança.

PRINCIPAIS SINAIS DE ALERTA

· Piora súbita do estado geral;
· Sonolência;
· Mudança brusca do comportamento habitual;
· Febre;
· Mudança de peso;
· Alterações do apetite;
· Alterações do hábito intestinal;
· Cianose;
· Tosse produtiva;
· Falta de ar;
· Urina escura/mal cheirosa;
· Incontinência urinária;
· Incontinência fecal;
· Distúrbios súbitos do aparelho locomotor.

Piora súbita e mudança brusca de comportamento

Pela evolução da doença de Alzheimer, a piora do quadro clínico com agravamento súbito do estado cognitivo, aparecimento de delírio e alucinações não é esperada. Uma alteração de comportamento, com agressividade e agitação psicomotora de brusca instalação deve ser investigada clinicamente, podendo ser resultado de uma doença subjacente como, infecção, retenção de urina, impactação fecal, intoxicação por drogas, assaduras, presença de insetos nas roupas etc. A primeira providência é realizar um exame físico minucioso na tentativa de detectar a causa do sintoma.

Sonolência e apatia

Sonolência e apatia são sinais importantes que podem estar relacionados a várias causas, geralmente graves como, desidratação, diabetes mellitus, efeito colateral de drogas, processos infecciosos, arritmias, que devem ser identificadas, corrigidas e tratadas prontamente.

Febre

A febre é um sinal de fácil constatação e de extrema importância. Apesar de os pacientes, muitas vezes, pertencerem a uma faixa etária em que a febre pode ser inexistente, mesmo na vigência de processos infecciosos, é um dado que, se positivo, representa um sinal de infecção. É conveniente que a temperatura seja aferida regularmente.

Palidez e sudorese

Palidez e sudorese podem indicar várias intercorrências, desde uma hipotensão arterial por uso de diuréticos até insuficiência coronariana aguda, infarto do miocárdio, embolia pulmonar etc. A hipoglicemia, falta de açúcar necessário para a geração de energia suficiente para o organismo, como em casos de jejum prolongado para a coleta de exames ou quadros de inapetência prolongada, também deve ser cogitada.

Coriza e espirros
Coriza e espirros são sinais normalmente associados ao resfriado comum ou a estados gripais.

 

Aerofagia e eructações

Geralmente relacionadas ao ato de deglutição de ar com saliva, a aerofagia e as eructações estão associadas a estados ansiosos, doenças pépticas como gastrites e úlceras gastroduodenais e disfunções do trato biliar. Quando induzidas espontaneamente, associam-se com úlceras pépticas, hérnia de hiato, angina do peito etc.
A deglutição rápida, sem mastigação, o uso de bebidas gasosas, o uso de medicação anticolinérgica e antiácidos, problemas dentários e próteses mal ajustadas também podem causar esses sinais.

Alterações do apetite

Aumento

Diminuição

 

Cianose (arroxeamento de extremidades)

Trata-se de um sinal grave que determina imediata investigação. Várias condições estão envolvidas no surgimento de cianose: insuficiência cardíaca, pneumonia, embolia pulmonar, enfisema pulmonar, intoxicação por anilina, aterosclerose obliterante etc.

Constipação intestinal

A constipação intestinal é uma condição que deve ser analisada, pois pode representar desde uma simples alteração decorrente do hábito alimentar e da falta de atividade ou também ser devida a quadros extremamente graves que se instalam abruptamente como abdome agudo, pancreatite aguda, uso de drogas, infecções em geral e obstrução intestinal. As constipações crônicas podem estar relacionadas com doenças como tumores anorretais, hemorroidas, fissuras e fístulas.
As alterações endócrinas como o hipotireoidismo, a insuficiência supra-renal e o hipertireoidismo podem levar a quadros de constipação.
Como para os outros sinais, um exame clínico completo é fundamental, complementado por toque retal para afastar a possibilidade de um fecaloma (que se trata de um endurecimento das fezes na ampola retal e no segmento inferior do sigmoide) que, de acordo com a gravidade, pode necessitar de cirurgia para a sua remoção.
A manutenção de um registro diário quanto aos hábitos intestinais é de extrema importância, pois permite uma avaliação correta do ritmo intestinal.

Vômitos e diarreias

Vômitos e diarreias podem ser sinais sem gravidade. A persistência, porém, requer investigação detalhada, ante a enorme gama de possibilidades diagnósticas, além de serem potencialmente geradores de
estados graves de desidratação. Pacientes demenciados que apresentam vômitos e diarreia com distensão abdominal devem ser submetidos a toque retal para eventual detecção de um fecaloma.
Pacientes com fecaloma podem apresentar a chamada diarreia paradoxal, ou seja, apesar de haver na ampola retal uma massa de fezes endurecidas, fezes malformadas acabam sendo eliminadas pelos lados do fecaloma. Esse fato é de suma importância, pois os familiares relatam ao médico que o paciente está com diarreia, e a tendência é, com base nessa informação, que os pacientes recebam medicação obstipante, o que agrava consideravelmente o quadro clínico.

Sede

O aumento de sede pode estar relacionado com diabetes mellitus e estados de desidratação.

Emagrecimento

O emagrecimento sem perda de apetite podem estar correlacionados especialmente com hipertireoidismo, diabetes, síndrome de má-absorção ou por excesso de atividade física sem a ingestão adequada de calorias, como ocorre em pacientes chamados vagantes, que andam o dia inteiro de um lado para o outro, distúrbio comum na doença de Alzheimer.

Epistaxe (perda de sangue pelas narinas)

Condição especialmente relacionada com a hipertensão arterial que necessita de imediata avaliação médica. A epistaxe pode ser causada também pela presença de um corpo estranho inserido na narina, por infecções, estados gripais, traumatismos, alterações da coagulação sanguínea etc.

Outros sinais

Exantemas, halitose (mau hálito), urina escura e malcheirosa, sangramento (na boca, no ânus e nos genitais), corrimentos vaginais, olhos amarelados, fezes muito claras ou muito escuras, perda involuntária de urina ou fezes, inchaço da face e das pernas, tosse seca ou produtiva, escarro amarelado, chiados no peito, coceiras, alterações na pele, retenção de urina, desmaios, soluços prolongados, calafrios, tremores e convulsões são sintomas que requerem investigações detalhada pelo médico.
Não é raro observarmos pacientes que andavam normalmente e de repente sentam-se e recusam-se a andar. As quedas não comunicadas ou mesmo as não observadas podem ocorrer, e a possibilidade de fraturas, especialmente de colo do fêmur, não deve ser descartada. A dor intensa na região lateral externa da articulação da coxa com a bacia e a rotação externa do pé, e o encurtamento de um dos membros inferiores, quando observados no leito, são fortes indicativos de fratura de colo de fêmur.
É, portanto, sensato informar aos cuidadores que acidentes podem ocor-rer e que o fato de comunicarem o acontecido é de extrema importância.
Outro fato é que, mesmo com dor, os pacientes com DA são capazes muitas vezes de continuar caminhando, o que pode acarretar sérias consequências.

Sintomas frequentes

 

Além dos sinais de alerta, alguns sintomas são extremamente importantes e comuns.

Edemas (inchaço)

 

Pessoas idosas que ficam sentadas por muito tempo podem apresentar edema sem que isso necessariamente seja doença (edema postural). É importante considerar que os edemas posturais sempre são discretos e geralmente assimétricos. O médico sempre deve ser consultado para que não se façam prejulgamentos, considerando ser esse mais um sintoma “normal” do envelhecimento.

Dores

 

Tosse

As causas principais de tosse são: tabagismo, bronquites, asma, pneumonias, refluxo gastroesofágico, câncer de pulmão, metástases e efeito adverso de anti-hipertensivos (inibidores da enzima de conversão de angiotensina) , captopril e enalapril).

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Problemas médicos comuns [sub 1]

Dentre uma infinidade de possibilidades de doenças, existem algumas que merecem destaque, pela frequência e importância na doença de Alzheimer.

Pneumonia [sub 2]

A pneumonia é uma doença que geralmente causa a morte do paciente. Vários fatores contribuem e facilitam a ocorrência dessa terrível complicação. Ao contrário dos pacientes adultos jovens, a pneumonia, especialmente naqueles mais idosos, não costuma se apresentar de modo clássico, com febre alta, tosse produtiva, catarro amarelado (purulento), dores nas costas e prostração. Pode ocorrer de maneira absolutamente silenciosa, e, às vezes, apenas uma alteração no padrão de comportamento nos leva a cogitar essa possibilidade.
Alguns fatores contribuem de modo decisivo para instalação desse quadro infeccioso de alta mortalidade.
Sabe-se que a tosse é um mecanismo de defesa do organismo que promove a limpeza dos pulmões, por eliminação de secreções (catarro). Nos pacientes demenciados e especialmente nos idosos, esse mecanismo encontra-se prejudicado, promovendo o acúmulo de secreções e facilitando, dessa forma, a instalação de uma infecção pulmonar. Sabemos também que o estado de sub-hidratação promove um espessamento das secreções, dificultando a higiene brônquica. A inatividade também dificulta a mobilização das secreções pulmonares e sua consequente eliminação. Outro fato relevante é que certos pacientes apresentam distúrbios no mecanismo de deglutição, engasgam constantemente e acabam por aspirar os alimentos (especialmente os muito liquefeitos), causando a pneumonia conhecida como aspirativa. Doenças crônicas e debilitantes que resultam em estados inadequados de nutrição levam também à diminuição da defesa imunológica, facilitando a instalação de processos infecciosos.
Algumas medidas são realmente eficazes na prevenção das infecções respiratórias:

AQUI TIRAR ESSES MARCADORES QUE NÃO SEI QUEM OS INVENTOU SEM MINHA ORDEM!!!

Um erro comum em relação a pacientes que engasgam é pensar que uma dieta liquefeita é mais fácil de ser deglutida. É, na realidade, uma dieta mais fácil de ser aspirada e, sendo assim, deve-se dar preferência às dietas pastosas ou semi-sólidas.
Alguns pacientes apresentam pneumonias de repetição, e o médico assistente pode lançar mão de outros recursos, como medicação específica de longa duração, vacinas etc.;
O uso de aparelhos para inalação só deve ser indicado pelo médico.
O paciente deve ser mantido em boas condições nutricionais, com uma dieta bem balanceada ou com ajuda de suplementos alimentares, se prescritos pelo médico.
Essas medidas, sem dúvida, previnem ou pelo menos diminuem o risco de infecções pulmonares.

Referências Bibliográficas [sub 1]

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Escaras [sub 2]

As úlceras por pressão (escaras de decúbito) são lesões que ocorrem na pele, especialmente na região sacra (final das costas), nas laterais do flanco, nos calcanhares e na região maleolar externa (lado externo do tornozelo).

Figura 4.27.2 (A e B)

As escaras, apesar de normalmente não serem dolorosas, afetam de forma trágica a qualidade de vida do paciente e o estado de espírito do cuidador.
Alguns pacientes referem dor local e prurido. Nesses casos aa qualidade de vida do paciente e o estado de espírito do cuidador. Alguns pacientes referem dor local e prurido. Nesses casos, a presença de infecção secundária pode ser a causa. Quando se instala, a infecção pode causar osteomielite e septicemia, colocando em risco a vida do paciente. As escaras são decorrentes da pressão prolongada na região em questão contra o colchão, o assento da cadeira, travesseiros etc. De todas as afecções, as escaras são, com algum grau de razão, o espelho dos cuidados providos ao paciente.
De um modo geral, as escaras podem ser evitadas na grande maioria das vezes.

Tratamento [sub 3]

O melhor tratamento é a prevenção.
Quanto ao tratamento, os aspectos fundamentais são:manter os pacientes ativos, livres de infecções, em bom estado nutricional e bem hidratados.
Em pacientes de risco, cremes hidratantes, impermeabilizantes dérmicos e loções emolientes específicos são recursos essenciais na prevenção.
Instalada a lesão, a cicatrização completa será sempre lenta e por vezes impossível.
Pacientes não acamados que se sentam em cadeiras devidamente equipadas com artefatos como boias de ar, que são mobilizados frequentemente com mudanças de posição para outros pontos de apoio, em bom estado nutricional, bem hidratados e estimulados a andar mesmo que sejam pequenos passos de tempos em tempos, dificilmente desenvolvem escaras.

Figura 4.27.3
Prevenção de escaras de calcâneo e Almofadas para diminuição de pressão localizada

Utilizar:

 

Pacientes em poltronas e/ou cadeiras de rodas também devem ser cuidadosamente monitorados para evitar que determinadas áreas de risco fiquem sob pressão durante longos períodos

Figura 4.27.4
Figura 4.27.5

Curativos [sub 3]

 

Figura 4.27.6

O tipo de curativo deve ser cuidadosa e criteriosamente selecionado, dependendo da gravidade do caso e estado da lesão. Os curativos devem ser realizados de maneira a permitir que a cicatrização ocorra “do fundo para a superfície”. Se a cicatrização ocorre na camada mais superficial da pele, fica um espaço vazio e há o risco de formação de um abscesso (acúmulo de pus num tecido localizado, formando uma cavidade delimitada por uma membrana).
Alguns produtos específicos para curativo são indicados, dependendo das características das lesões: são as chamadas placas.

Placas [sub 3]

Placas são curativos hidrocoloides autoaderentes à base de gelatina, pectina e carboximetilcelulose que auxiliam o processo de cicatrização pela manutenção do meio úmido. Promovem um desbridamento autolítico, protegem contra infecção, estimulam a granulação (cicatrização) e aceleram a reepitelização.
Essas placas, além de seus efeitos terapêuticos indiscutíveis quando bem indicadas, facilitam e amenizam a carga de cuidados, pois podem permanecer até sete dias sem necessidade de novos curativos.
Em úlceras profundas, produtos à base de gel hidroativo podem ser indicados para a hidratação de feridas secas com necrose e/ou fibrina, auxiliando o desbridamento autolítico e o preenchimento da cavidade.


Existe uma linha de produtos similares que podem ser prescritos caso a caso. Em casos graves, em grandes lesões, pode ser necessária cirurgia reparadora com enxertos dérmicos. Em alguns casos, forma-se uma placa de necrose dura e enegrecida que necessita de remoção cirúrgica (desbridamento).


Os curativos de escaras são objeto de grande especulação. Açúcar, papaína, confrei e outras formas alternativas são no mínimo discutíveis e não substituem as medidas clássicas de suporte geral aqui citadas.

Os curativos devem obedecer às regras simples, porém rigorosas, de higiene e assepsia.

O tipo de curativo a ser usado deve ser prescrito pelo médico.

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Incontinência urinária e fecal [sub 2]

Aspectos gerais
Incontinência é a impossibilidade neuromuscular de controlar a micção (incontinência urinária), a evacuação (incontinência fecal) ou ambos (conjunta, mista ou associada), fazendo com que o paciente perca urina e/ou fezes involuntariamente, causando constrangimento àqueles que ainda conservam algum discernimento. Ao lado das úlceras por pressão, a incontinência também é uma temível complicação que afeta tragicamente a qualidade de vida do paciente, resultando em enorme sobrecarga física e emocional ao cuidador.
Ao abordar o tema, algumas advertências preliminares devem ser feitas.
A primeira diz respeito ao alto índice de sucesso que pode ser conseguido quando adotamos uma posição não conformista. Toda incontinência deve merecer uma adequada investigação diagnóstica, que determinará as condutas médicas específicas a serem adotadas.
Outra advertência refere-se à limitação social e ao confinamento que podem ser impostos ao paciente se o gerenciamento dessa questão crítica não for cuidadosamente equacionado.
Partos traumáticos e trabalhosos, realizados em casa sem recursos técnicos adequados, frequentemente acabam por produzir lesões na região perineal. Essas lesões são responsáveis por alterações no controle esfincteriano, e, em consequência, muitas mulheres passam a conviver com perdas mínimas de urina durante muito tempo, sem se queixarem, já que acreditam que isso é “normal”. A intensidade é variável, desde pequenas perdas, durante esforços súbitos que aumentam a pressão intra-abdominal, como tossir ou espirrar, até a incontinência completa com esvaziamento total do conteúdo vesical e/ou fecal.
É necessário também distinguir entre a verdadeira incontinência ou se o paciente está urinando ou evacuando em locais inapropriados por confusão mental e desorientação ou por outras condições diferentes da incontinência clínica, conhecida como incontinência mecânica.

Incontinência mecânica [sub 2]

A incontinência mecânica relaciona-se aos aspectos físicos e ambientais. O paciente sente necessidade de ir ao banheiro para urinar ou evacuar, porém obstáculos físicos e ambientais, como estar longe do banheiro, não identificar onde está o banheiro por iluminação precária ou por desorientação de tempo e espaço, impedem que ele alcance o vaso sanitário a tempo, e o acidente ocorre.
Pacientes com a doença de Alzheimer, por exemplo, podem enfrentar dificuldades em comunicar que quer ir ao banheiro. Ele tenta avisar de variadas formas, agitando-se, levantando e sentando várias vezes, esfregando as pernas, andando rapidamente, batendo com as mãos nas coxas ou nos braços da poltrona, coçando-se na região genital ou mesmo abaixando as calças ou levantando o vestido. É necessário que o cuidador fique atento a essas possibilidades.
Outro fato que ilustra uma incontinência mecânica é quando, por exemplo, o indivíduo sente vontade de urinar ou evacuar, porém, em virtude da dificuldade em locomover-se, por dor em um joelho ou outras condições limitantes, acaba por adiar a ida ao banheiro, e o acidente acaba ocorrendo.
Esses exemplos demonstram a importância de fazer um retrospecto a respeito dessa questão, para que essas possibilidades sejam excluídas e, se confirmadas, imediatamente solucionadas.
Dependendo do grau de saúde mental, as roupas complicadas para serem abertas pelo próprio paciente podem retardar o ato da micção ou evacuação. Nesse caso, é importante que as roupas sejam de fácil manuseio, de preferência sem botões, com velcro ou elásticos. Uma cadeira ou um sofá muito baixos que impeçam que o doente se ponha em pé rapidamente também podem dificultar o acesso ao banheiro.
Quando o paciente tem dificuldade em encontrar o banheiro, o uso de cores berrantes e contrastantes nas portas e a colocação de placas de identificação, além da manutenção do ambiente convenientemente iluminado, podem colaborar e até mesmo evitar a ocorrência da incontinência mecânica.

Incontinência urinária [sub 1]

O problema da incontinência urinária é relevante e deve ser analisado sob o ponto de vista não apenas médico, mas também social, econômico e psicológico.
A incontinência urinária é frequente, de alto custo, muitas vezes negligenciada e geralmente antecede a incontinencia fecal.

 Calcula-se que pelo menos um terço da população idosa norte-americana tenha algum grau de dificuldade em controlar a urina. Cerca de 10% perdem semanalmente urina de forma involuntária, molhando as roupas. Praticamente a metade dos idosos institucionalizados é incontinente.
Do ponto de vista psicossocial, a incontinência leva o indivíduo ao isolamento social, à depressão e à regressão, causas que determinam a ins-titucionalização permanente.
A incontinência urinária favorece várias complicações como assaduras, úlceras por pressão, infecção do trato urinário etc. Existe também a possibilidade de ocorrência de celulite nas pernas e nos pés, pelo fato de os pacientes estarem constantemente com essas regiões umedecidas pela urina. Pacientes portadores de distúrbios cognitivos e os aqueles com diminuição de sensibilidade periférica estão mais sujeitos a essa complicação.
Estudos demonstram que, apesar da importância dessa entidade, nos Estados Unidos apenas um entre três médicos inicia um planejamento terapêutico para os incontinentes. Sabe-se que pelo menos dois terços das incontinências são virtualmente curáveis, inexplicavelmente, porém, continuam negligenciadas.

As incontinências podem ser divididas da seguinte forma:

Acomete um terço dos idosos que vivem na comunidade e metade dos institucionalizados. É causada por algum agente externo e normalmente passível de tratamento e cura. A cura reside no afastamento do fator causal que pode ser:

Infecção urinária

A incontinência pode também estar relacionada a fatores de irritação vesical, como cistite, tumor vesical ou cálculos intravesicais. É imperioso que, antes de se estabelecer que a incontinência apresentada é permanente, que os possíveis fatores desencadeantes sejam clinicamente afastados.

Esse tipo de incontinência normalmente está relacionada com um comprometimento neurológico. O exame físico detalhado inclui o toque retal, para possível detecção de impactação fecal, a avaliação da próstata no homem e o exame ginecológico completo nas mulheres. De posse desses dados, os exames complementares necessários para descartar a incontinência transitória serão solicitados. A avaliação urodinâmica compreende a cistometria, o eletromiograma, a avaliação de fluxo urinário e a avaliação radiológica. As avaliações sofisticadas devem ser reservadas aos casos em que, após os procedimentos citados, a causa de incontinência continua desconhecida e as terapias propostas falharam. Nas fases mais adiantadas da doença de Alzheimer, por comprometimento do sistema nervoso central, a bexiga contrai-se subitamente, sem aviso, esvaziando-se completamente. Esse fato é conhecido como hiperatividade detrussora ou supercontração da musculatura vesical.

 

Veja também:

Manejando os problemas cotidianos

Comunicação e Alzheimer

Cuidados pessoais

Distúrbios do comportamento

Problemas médicos (Parte 2)

Aspectos nutricionais

Medicamentos (Parte 1)

Medicamentos (Parte 2)

Pacientes acamados

Como escolher uma instituição

Suporte familiar e cuidadores