Alois Alzheimer

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Etiologia e Fatores de Risco

Que fatores ou situações predispõem o indivíduo a ser acometido pela doença de Alzheimer?

Essa pergunta tem sido objeto de muitos estudos e pesquisas em todo o mundo.

Diversos autores têm se ocupado desse tema, e determinadas constatações estão bem esclarecidas e fundamentadas.

O único fator de risco bem conhecido e aceito universalmente é a idade.

Aceita-se que a doença de Alzheimer seja uma doença idade-dependente, ou seja, à medida que a idade avança, maior é a probabilidade de sua ocorrência. Esse fato é tão bem estabelecido que alguns autores têm questionado se a doença de Alzheimer não seria nada mais que um processo de envelhecimento acelerado, exacerbado e de aparecimento prematuro.

Parece claro que a doença de Alzheimer (DA) não tem uma única causa, sendo provavelmente decorrente de uma combinação de fatores genéticos e ambientais.

Alguns dos fatores relacionados à doença começam a ser compreendidos com base nos resultados de inúmeros ensaios dedicados a definir a causa e os fatores de risco para a DA descritos a seguir.

 Idade 

Alguns estudos demonstraram que, enquanto a incidência aos 80 anos é de aproximadamente 20%, aos 85 anos é de 40%, ou seja, o dobro em 5 anos. A idade continua sendo o único fator de risco inquestionável, e, se a demência tem início antes dos 75 anos, os fatores mais prováveis são: história familiar prévia e síndrome de Down. 

O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial. No Brasil, esse fato ganha cada vez destaque, o que vai resultar no aumento significativo da frequência de doença de Alzheimer.

Os gráficos abaixo ilustram muito bem essa constatação.

 

 Esperança de Vida ao Nascer

 Taxa Bruta de Natalidade

 Taxa Bruta de Mortalidade

 

Fonte: Hebert LE, Scherr PA, Bienias JL, Bennett DA, Evans DA. Alzheimer disease in the US population: prevalence estimates using the 2000 census. Arch Neurol. 2003 Aug 1;60(8):1119-22.

 

Sexo 

Estudos sugerem que as mulheres são mais afetadas do que homens, mas, como a expectativa de vida delas é pelo menos 5 anos maior que a dos homens, essa correlação ainda precisa ser estatisticamente ajustada e melhor esclarecida.

 

Escolaridade 

O nível de educação parece ser uma proteção para a doença de Alzheimer: quanto maior for o número de anos de estudo formal, menor será o risco. Essa possibilidade deve ser analisada com reservas a partir da constatação de que pessoas com mais escolaridade administram suas limitações cognitivas com maior facilidade que analfabetos ou com baixo nível de escolaridade.A plasticidade neuronal também pode estar envolvida nesse processo.

 

Alumínio

Traços de alumínio encontrados no cérebro de pacientes com DA levaram vários pesquisadores a suspeitar que esse metal estivesse implicado na etiologia da DA. A partir dessa constatação, inúmeros ensaios bem desenhados e conduzidos foram incapazes de demonstrar essa correlação ou apresentaram resultados extremamente questionáveis.

A presença de alumínio parece ser consequência da morte neuronal e não a sua causa. A concentração de alumínio no cérebro de pacientes com DA pode apresentar níveis mais elevados que no dos não portadores, porém não em todos.

Outra dúvida razoável é que as substâncias utilizadas nas preparações dos tecidos cerebrais estudados possam explicar a presença de alumínio e não esteja correlacionada à doença. 

Um estudo canadense concluiu que poderia haver essa correlação etiológica, mas pesquisadores norte-americanos de Kentucky não conseguiram duplicar esses resultados, e, uma vez que a água no Canadá é tratada com a adição de alumínio e em Kentucky não o é, parece lógico correlacionar os achados como produto de acumulação secundária. Entretanto, sabe-se que há alumínio nas placas neuríticas e nos novelos neurofibrilares.

Não há evidências de que a exposição às fontes de alumínio, como antiácidos, desodorantes, enlatados e utensílios de cozinha seja um fator de risco para a DA.

O alumínio é um elemento extremamente comum na crosta terrestre, o que gera sentimentos equivocados de temor no uso de produtos que contêm esse metal em sua composição ou embalagem.Outros estudos encontraram grandes concentrações de alumínio em pessoas saudáveis.Essa teoria está sendo cada vez menos estudada, pois os indícios apontam para a desmistificação dessa probabilidade.

 

Outros fatores 

Outros possíveis fatores de risco têm sido estudados, porém com pouco resultado prático, como: exposição ou ingestão de substâncias tóxicas como álcool, chumbo e solventes orgânicos, medicamentos diversos, trauma craniano, exposição à radiação, estilo de vida, estresse, infecções, doenças imunológicas e câncer.

Altos níveis de colesterol e de homocisteína (relacionada com o estresse oxidativo), a obesidade e o diabetes estão sendo estudados como eventuais fatores de risco. 

O uso de hormônio estrogênio, o tabagismo e o uso de anti-inflamatórios por longo período de tempo parecem , em alguns estudos, ser fatores de proteção e estão sendo objeto de investigação em vários centros de pesquisa.

Em suma, do ponto de vista científico, pode-se afirmar que a incidência da doença de Alzheimer aumenta exponencialmente com a idade e que existem fortes indícios de que as formas precoces relacionam-se a uma maior incidência familiar.

 

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