Alois Alzheimer

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O Médico

Em dezembro de 1888, Alzheimer candidata-se a uma vaga de médico interno no Asilo Municipal para Doentes Mentais – Städtische Irrenanstalt – também conhecido como Hospital Municipal de Lunáticos e Epiléticos, inaugurado em 1884 e que estava sob a direção de Emil Sioli ( 1852 – 1922) , que não hesita em contratar o jovem médico portador de um excelente curriculum em Frankfurt am Main ( não confundir com Frankfurt an der Oder) onde trabalha durante sete anos como interno e outros sete como segundo assistente.

 

 

Frankfurt am Main

Foi aqui que o seu interesse pela neuropatologia ficou definitivamente estabelecido.

Por uma oportuna coincidência, poucos meses depois de ter iniciado seu trabalho, o famoso neurologista e neuropatologista Franz Nissl (1860 – 1919) integra-se ao corpo clínico da instituição como chefe de clínica, indo posteriormente ocupar uma posição de destaque em Heidelberg.
O triunvirato, Nissl, Alzheimer e Sioli gera pesquisas de alta qualidade transformando o Asilo em um sanatório psiquiátrico de prestígio onde, umas das preocupações fundamentais era de evitar toda e qualquer medida coercitiva para conter pacientes agitados substituindo-as por ações humanizadas e também de promover investigações clínicas de alta qualidade científica examinado cérebros de pacientes psiquiátricos que ali faleciam , correlacionando seus sintomas com as alterações anatomopatológicas .


Franz Nissl (1860 – 1919)

 

Essa parceria foi muito produtiva e os dois, amigos e colegas, passam a pesquisar profunda e detalhadamente as doenças do sistema nervoso estudando particularmente a anatomia normal e patológica do córtex cerebral, trabalho que deu origem a um tratado de seis volumes denominado “Estudos Histológicos e Histopatológicos do Córtex Cerebral” – Histologische und Histopatologische Arbeiten über die Grosshirnrinde – publicado entre 1906 e 1918 .

Suas publicações elevam o prestígio profissional de Alzheimer e seus colegas referem-se a ele como “ o psiquiatra do microscópio”.

Enquanto Alzheimer concentrava seus esforços estudando os aspectos morfológicos do tecido cerebral, Nissl dedicava-se ao estudo experimental da reação das células nervosas e da substância tigróide, atualmente conhecida como Corpúsculos ou Substância de Nissl, após a secção de seus axônios. 

Nissl destacava-se por sua criatividade e entusiasmo e Alzheimer completava a parceria não apenas com o seu alto poder dedutivo como também por suas inequívocas qualidades técnicas para a histologia experimental.

Alzheimer era um pesquisador dedicado, detalhista e extremamente cuidadoso sendo conhecido por sua rara habilidade, quase artística, nas descrições dos achados microscópicos. Como clínico destacava-se por seu alto grau de humanismo e competência. 

Uma grande amizade cresceu entre os dois cientistas, trabalhando durante as manhãs com os pacientes e passando tardes e noites adentro debruçados sobre o microscópio.

Alzheimer era muito amigo do médico Wilhelm Heinirich Erb (1840 – 1921) um destacado especialista em sífilis,verdadeira epidemia naqueles dias.
Otto Geisenheimer , banqueiro que havia contraído sífilis foi paciente de Erb e, após o tratamento, querendo demonstrar sua gratidão, ofereceu-se para patrocinar uma expedição científica na África, mas condicionando que, ele e sua esposa fizessem parte da comitiva.
Erb concordou e o grupo embarcou. Logo depois da chegada da comitiva, o banqueiro sofre uma séria crise nervosa. Erb, que conhecia e respeitava o trabalho de Alzheimer nesse campo, entra em contato com Alzheimer que vai a Argélia para trazer o banqueiro e sua esposa de volta para a Alemanha.


Argélia - ÁFRICA

 

Pouco tempo depois o banqueiro falece e em abril de 1894 Alzheimer casa-se com a judia, viúva Cecilie (Cäcilia) Simonette Nathalie Geisenheimer (1860 – 1901), nascida  Wallerstein, com quem teve três filhos, um homem e duas mulheres.

 

Esse casamento fez de Alzheimer um homem financeiramente independente que dessa maneira pode financiar suas pesquisas e enriquecer suas publicações com inúmeras ilustrações.

Sua esposa faleceu sete anos após o casamento.
Uma de suas filhas, Gertrude, casou-se posteriormente com um médico polonês de Breslau, Georg Stertz que assumiu a cadeira de psiquiatria da Universidade de Munique em 1946.

Alzheimer, além de sua grande contribuição para a neurobiologia e neuropatologia estudou e publicou artigos sobre paralisia luética progressiva, arteriosclerose* cerebral, alcoolismo, epilepsia e controle da natalidade. Alzheimer foi também um renomado psiquiatra forense na época.

Em 1895, Nissl aceita o convite do mais famoso psiquiatra alemão da época, Emil Kraepelin (1856 – 1926) e se muda para Heidelberg, onde iria sucedê-lo ocupando o cargo de chefe da Clínica.

Kraepelin descreveu a esquizofrenia e a psicose maníaco-depressiva e foi o pioneiro a sugerir que algumas doenças psiquiátricas teriam uma causa orgânica confrontando-se com Freud que advogava a teoria psicoanalítica.

 


Emil Kraepelin
“Pai da Psiquiatria Moderna”

Em 1895 Alzheimer é nomeado diretor da – Irrenanstalt – onde continua a pesquisar uma série de patologias incluindo os aspectos clínicos da esquizofrenia e da psicose maníaco-depressiva.

Em 1901, mais precisamente em 25 de Novembro, segunda feira, a paciente August D. de 51 anos de idade, com sinais indicativos de demência é internada no Asilo em Frankfurt e é examinada por Alois Alzheimer no dia seguinte. Seria essa paciente que iria originar o epônimo “Doença de Alzheimer”.

 

Frau August D.

A Histórica Paciente de Alzheimer

Em 1902 Kraepelin convida Alzheimer para trabalhar em Heidelberg, na Universidade de Psiquiatria Clínica, onde mais uma vez ele acaba trabalhando com Nissl.

 

Heidelberg

Em março de 1903, Alzheimer desliga-se do asilo e, após curta permanência em Heidelberg, em outubro, acompanha Kraepelin mudando-se para Munique.
Mesmo considerando-se que os dez anos passados em Munique aperfeiçoaram enormemente sua técnica em histopatologia, os 14 anos em Frankfurt am Main (1888 - 1902) construíram sólidos alicerces em sua carreira por três razões:

Primeira: Ao integrar o serviço dirigido por Emil Sioli no Frankfurt Asylum, ele viu-se numa situação peculiar uma vez que, ao mesmo tempo em que clinicava dentro de um conceito moderno de atendimento aplicando o ' Tratamento Moral ' idealizado por Pinel, também mantinha um banco de dados de informações de pacientes com finalidade puramente científica. Desse modo ele construiu um arquivo com dados de necrópsias que ele podia e iria confiar até o final de sua carreira.
Por exemplo: O cérebro da primeira paciente com doença de Alzheimer, Frau August D. que faleceu em 1906 em Frankfurt, foi enviado a ele pelo Dr. Sioli quando já estava em Munique, ou seja, quatro anos depois dele ter deixado Frankfurt.

Segunda: Alzheimer encontrou Franz Nissl em Frankfurt, apenas quatro anos mais velho, e já consagrado no então novo campo da neurohistologia por sua descoberta da técnica de coloração de células nervosas “Nissl Staining” largamente utilizado em laboratórios de neuropatologia experimental em todas as partes do mundo.
A amizade entre os dois propiciou intensa troca de experiências com respeito aos achados microscópicos .A contribuição de Nissl na descoberta e descrição da doença de Alzheimer não deve ser subestimada uma vez que sabidamente seus ensinamentos influenciaram muito o trabalho desenvolvido por Alzheimer.

Terceira: em 1894 Alzheimer casa-se com Cecilie Geisenheimer em Frankfurt e dessa maneira consegue independência para financiar suas pesquisas.

 Alois Alzheimer

 

Veja também:

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O Psiquiatra do Microscópio

A Primeira Paciente August D.

O Segundo Paciente Johann F.

Sua Época - História Ilustrada da Neurociência

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